O homem olhou para o rosto dela e deu um riso anasalado: — Pelo seu tom, parece até que você vai me deixar assim que a criança nascer.
Beatriz ficou levemente atônita e não respondeu.
Apenas encarou o rosto dele com certa surpresa, notando que a expressão do homem era indolente e zombeteira.
Contudo, havia uma inegável ameaça em seu tom.
Será que esse homem não pretendia deixá-la em paz pelo resto da vida?
O olhar de Beatriz tornou-se extremamente complexo.
Arthur levantou a mão, segurou levemente o queixo dela, inclinou-se e beijou suavemente os seus lábios vermelhos, com os olhos escuros e profundos.
O beijo ocorreu de maneira totalmente inesperada, e ele ainda o aprofundava centímetro por centímetro.
Em meio ao pânico, Beatriz empurrou os ombros de Arthur. A força dela não foi suficiente para afastá-lo, acabando por transmitir uma sutil impressão de resistência que, na verdade, parecia ceder.
Os movimentos de Arthur tornaram-se ainda mais ousados.
Com a respiração ofegante e desordenada, empurrando-o pelos ombros, ela protestou: — Arthur, tem um bebê aqui, não podemos fazer isso...
Aquela frase devolveu a sobriedade ao homem em quase um segundo.
Sua respiração também estava instável, e os seus olhos pareciam incrivelmente sombrios, fazendo o coração de Beatriz tremer levemente. Ela viu naqueles olhos negros uma força abissal inesgotável e percebeu o desejo selvagem transbordando nas profundezas de seu olhar.
— Da próxima vez, não me olhe mais desse jeito.
A voz do homem era baixa e rouca.
Ao ouvir isso, os cílios de Beatriz tremeram levemente. Fitando o rosto de Arthur, ela riu: — Você não disse que não tinha interesse em mim? Por que se importa com a forma como eu te olho?
O seu tom de voz transparecia um sarcasmo evidente.
Essas palavras voltaram como um bumerangue, atingindo o rosto dele em cheio.
Os olhos de Arthur ficaram ainda mais escuros: — Se você me olhar assim, vai me fazer pensar que está querendo.

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