Beatriz sabia o quanto o homem era autoritário; desde que ele quisesse fazer algo, ela não conseguiria recusar.
Por isso, para evitar mais aborrecimentos, resolveu ficar calada, mantendo uma expressão apática no rosto.
O homem observou sua expressão e franziu levemente as sobrancelhas: — Como está se sentindo? Ainda dói?
Beatriz respirou fundo: — Já melhorou bastante.
—
Quando Beatriz e Arthur voltaram para casa, ela notou que havia muitas coisas novas para bebê, inclusive latas de leite em pó.
Ao observar aqueles objetos, sentiu uma angústia inexplicável. Na gravidez anterior, ela também havia preparado inúmeras coisas, mas o bebê acabou a deixando no final.
Arthur percebeu o olhar dela voltado para os itens e, casualmente, pegou um pequeno sapatinho: — É fofo, não é? Eu comprei tanto para menino quanto para menina.
Beatriz encarou o sapatinho minúsculo e franziu levemente os lábios: — Recém-nascidos não precisam usar sapatos.
— Bebês crescem rápido, logo ele vai precisar.
Era evidente que Arthur se importava muito com aquilo, tendo providenciado uma infinidade de coisas para a criança.
Ele até correu de um lado para o outro para se informar sobre os cuidados com grávidas e recém-nascidos, e agora havia matriculado ambos em todo tipo de curso.
Esse Arthur parecia completamente estranho para Beatriz.
Ela mal conseguia imaginar como seria a vida dela com Arthur após o nascimento do bebê em seu ventre; continuaria sendo como era agora?
Toda a ternura e o cuidado que ele demonstrava no momento soavam incrivelmente falsos e estranhos para ela.
No fundo do seu ser, ela não acreditava que Arthur chegaria a esse ponto por ela.
— No futuro, você terá filhos com outra mulher? Se tiver, continuará tratando o nosso filho bem até o fim?
Beatriz sabia perfeitamente que qualquer resposta dada naquele momento não seria absoluta, talvez sequer houvesse uma resposta.

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