Ela queria dizer algo, mas as palavras simplesmente lhe faltavam.
Queria perguntar sobre o acidente de carro, mas ele não carecia desse tipo de preocupação.
Queria explicar por que tinha viajado para o exterior, mas por que precisaria dar explicações a ele?
Ele nunca ouvia suas justificativas; para ele, tudo o que ela dizia não passava de desculpas.
Todas as palavras na ponta da língua transformaram-se em um silêncio infinito.
— Parece que a vida no exterior tem sido bem agradável. — Arthur não soltou a porta, sua mão grande a segurava firmemente enquanto ele a encarava fixamente.
— Não vai me convidar para entrar?
A voz do homem soava grave, carregada de uma frieza cortante.
Beatriz respirou fundo e deu um passo para o lado, abrindo espaço para ele.
Jonas empurrou Arthur para dentro.
Em seguida, Arthur dispensou o secretário, que, ao sair, fechou a porta atrás de si.
Num instante, restaram apenas os dois no cômodo; a atmosfera congelou, e o ar em todo o ambiente tornou-se gélido.
Arthur ergueu a mão, desabotoou levemente a camisa e correu o olhar pelos móveis do quarto.
Não havia nada que pertencesse a outra pessoa ali, apenas os pertences de Beatriz.
E ela, naquele momento, mantinha-se em silêncio absoluto, como se desaprovasse completamente a chegada dele.
Ela nem sequer perguntou por que ele estava em uma cadeira de rodas.
E o motivo de não perguntar confirmava que Beatriz estava perfeitamente ciente do acidente dele.
Confirmava também a suspeita que ele nutria.
Para conseguir viajar, ela não hesitou em realmente se aliar a Bernardo Silveira.
— Por que você não está morando com Felipe? — A primeira coisa que Arthur disse foi uma provocação cheia de sarcasmo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Esposa Invisível