Ela sorriu com inocência: — Se alguém que não nos conhecesse escutasse as palavras do Sr. Valente, iria achar que o meu relacionamento com o Arthur é inapropriado.
Felipe ergueu a sobrancelha: — O seu querido Arthur estava tendo um encontro às cegas com a Srta. Vasconcelos, você não sabia?
Ele sempre acertava, com precisão absoluta, o ponto que mais doía em Sophia.
O rosto da jovem ficou branco como papel.
Arthur logo partiu em defesa dela: — A minha namorada está grávida, e a data prevista para o parto está chegando. Se o Sr. Valente disser algo que cause algum mal a ela, você não vai conseguir assumir a responsabilidade.
Beatriz abaixou ligeiramente o olhar.
Ela sempre achou que Arthur não sabia como amar alguém.
No segundo ano do casamento, ela foi alvo de insultos e humilhações cruéis de sua chefia. Tinha abortado o primeiro bebê havia pouco tempo, trabalhou na calada da noite arrumando documentos para a chefia, teve uma febre alta na mesma noite e quase desmaiou.
A atitude de Arthur, na ocasião, fora apenas frieza. Disse-lhe que, se as suas capacidades profissionais não fossem suficientes, ela deveria estudar mais, não tentar se fazer de vítima.
Mas todos os detalhes dele ao lado de Sophia Lemos demonstravam que ele sabia amar, sim, e também proteger muito bem quem amava.
Bastava alguém falar algo atravessado e o rosto dele ficava gelado, defendendo sua doçura.
E ainda mais por ser sua doce amada grávida, o valor disso era incalculável.
Quanto mais pensava naquilo, mais Beatriz achava irônico.
Ela puxou levemente a mão de Felipe e disse: — Felipe, vamos entrar, as minhas pernas já estão moles.
Para quem olhasse de fora, soava como puro denguinho.
— Quer que eu te carregue nas costas? — Felipe fez menção de se abaixar.
Beatriz sorriu de imediato: — Para que chamar tanto a atenção? Não é como se eu não conseguisse andar.
Ela apertou o braço de Felipe: — Me ajude a andar um pouco. Se eu cair hoje, você está frito.
Os dois entraram rindo e conversando.
Vistos de trás, pareciam um casal feito um para o outro.
Sophia os observou: — Arthur, parece que os dois se dão tão bem.
O olhar de Arthur carregou uma nuvem de gelo.
Era óbvio para ele que se davam bem.
Apenas aqueles que se amavam de verdade poderiam se tratar com aquela ousadia cheia de dengo e carinho.

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