Em meio à densa fumaça, ela viu que a cozinha estava em chamas. Podia ver o fogo crepitando furiosamente na porta da cozinha, além da figura de Marta Cavalcante correndo de um lado para o outro, em pânico.
Beatriz cobriu o nariz e a boca, e imediatamente avançou para puxar a mão da mãe. Queria sair, queria abrir a porta de segurança, mas as chamas avançaram de repente, e o calor escaldante tornava impossível qualquer aproximação, forçando-a a recuar vários passos.
Ela franziu o cenho, o calor do fogo queimava tanto que parecia rachar a pele.
Beatriz rapidamente puxou a mãe para o seu próprio quarto, fechou a porta e discou para os bombeiros.
Elas moravam no 18º andar e as janelas tinham grades de proteção, sendo absolutamente impossível sair por ali.
Se aquele fogo não fosse apagado a tempo, elas morreriam queimadas naquela mesma noite.
Marta estava inteiramente coberta de cinzas. Seu cabelo havia sido chamuscado pelo fogo, enrolando-se e exalando um cheiro de queimado.
Beatriz olhou para ela e não pôde evitar gritar, desesperada:
— Mãe! O que exatamente a senhora estava fazendo?!
Mas Marta, naquele momento, olhava para ela com cautela. Havia pânico e inquietação em seus olhos. Ao ver a mãe tão assustada, Beatriz sentiu como se algo apertasse seu coração, sufocando-a.
Todas as palavras de repreensão que chegaram aos seus lábios foram engolidas de volta.
Que direito ela tinha de repreendê-la? O estado mental da sua mãe não era normal, e aquele desastre era resultado de sua própria negligência em supervisioná-la.
Marta percebeu o olhar da filha:
— Eu... eu vi o meu genro chegar ontem à noite e queria preparar o café da manhã para vocês...
Ela parecia magoada:
— Fazia tanto tempo que eu não via o Arthur. Ele trabalha tanto, e finalmente teve um tempo para vir nos visitar. Eu só queria cozinhar para ele... Mas enquanto eu preparava a comida lá fora, a cozinha de repente pegou fogo...
O coração de Beatriz apertou mais uma vez, sua garganta ardeu intensamente. Um nó pesado e sufocante formou-se em seu peito.
O corpo de bombeiros ficava muito longe dali.
Beatriz usou roupas para vedar as frestas da porta, mas aos poucos podia sentir o calor abrasador tomando conta do ar.
Assim que terminou, seu celular tocou.
Era do Hospital Santa Marina. Ela conhecia aquele número muito bem.
Beatriz apertou o celular e atendeu imediatamente.
— Sra. Cavalcante, seu pai teve uma crise súbita e está na sala de emergência. O coração dele já parou várias vezes e as chances de reanimação são baixas. É melhor a senhora vir para cá.
Um estrondo.
Aquela notícia foi como um raio, atingindo-a em cheio.

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