Beatriz não esperava que Arthur aparecesse de madrugada.
Arthur caminhou até a beira da cama, sentou-se, e seu olhar era sereno: — Não ligou ontem me perguntando se eu viria? Hoje não quer que eu venha?
Ele vestia um sobretudo, e o seu rosto estava marcado pelo cansaço. Os seus cabelos e ombros também tinham pequenas gotas de chuva. Pelo visto, ele havia enfrentado a tempestade para chegar ali.
Beatriz não acreditava que a visita de madrugada debaixo da tempestade, com relâmpagos e tudo, se devia apenas àquilo.
Na opinião dela, Arthur não agiria assim.
Ele não faria o esforço de ir até lá para algo que considerava irrelevante.
— Você veio até aqui para me humilhar? — Beatriz olhou para ele, cujo rosto parecia relaxado e calmo, bonito e expressivo.
— Saí do trabalho tarde, apenas dei uma passada. — O pomo de adão de Arthur se moveu. — Você não consegue dormir por causa do seu pai?
Beatriz virou a cabeça: — Você não tinha dito que não ia mais ajudar?
— Eu disse isso? — Arthur sorriu de forma irônica. — É muito ingrata mesmo, mal acabei de apagar tudo o que estava sendo dito na internet sobre o assunto e agora me vem dizer que eu não queria ajudar?
Beatriz ficou pensativa e não falou mais nada.
— Eu mantenho a minha palavra. — O seu olhar fixo nela parecia sombrio. — Não quer fazer nada esta noite?
O tom de voz de Arthur era baixo e envolvente e parecia ser um forte sinal.
Mas as ideias de Beatriz eram outras; ela não estava com disposição esta noite.
Ela permaneceu estática e em silêncio.
O homem riu: — Seu pai será transferido para o Hospital Santa Marina hoje à noite; amanhã você poderá visitá-lo, agora pode dormir tranquila.
Depois de dizer isso, ele se levantou e foi embora.
O corpo de Beatriz tremia de forma leve; ao fitar as costas dele ao partir, viu frieza e indiferença.
Ele teria ido ali a essa hora da noite só para informá-la daquilo?
Imediatamente a seguir, ela recebeu uma mensagem no WhatsApp de Arthur.
[Já que está grávida, evite os aborrecimentos. Durma bem; amanhã, depois de passar no hospital para ver seu pai, aproveite para ir à consulta de pré-natal que marquei para você.]
O aperto de Beatriz no celular ficou mais forte, e os seus lábios embranqueceram.
Todo o esforço dele girava em torno do bebê; não tinha qualquer ligação com os sentimentos que ele nutria por ela.
Beatriz fechou os olhos, todo o seu corpo estremeceu; cada vez apertava mais o celular, dando a impressão de querer estilhaçá-lo em mil partes.
Afastar-se? Já fazia tempo que ela havia tentado.
Mas cada uma das escolhas e atitudes impiedosas de Arthur deixava um incômodo e doloroso aperto em seu peito.
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Na manhã seguinte.
Logo que a enfermeira que tomava conta da mãe chegou, Beatriz dirigiu-se ao hospital.
O estado do seu pai já apresentava melhoras, após a intervenção da noite anterior.

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