Felipe observava o rosto de Beatriz, que não estava nada bem, e cujos olhos revelavam uma profunda preocupação.
Em uma situação daquelas, qualquer um perderia a calma e a tranquilidade.
O homem estendeu a mão e deu uns tapinhas nas costas dela, transmitindo segurança e firmeza, como se quisesse lhe dar forças.
— O Daniel já sabe disso. — Felipe disse em tom baixo. — Daqui a pouco ele virá para examinar o estado de saúde do seu pai.
Beatriz estremeceu levemente, ergueu o olhar para Felipe, abriu a boca para dizer algo, mas as palavras ficaram presas na garganta.
Felipe tentou consolá-la: — Eu sei que talvez você queira me agradecer, mas todo mundo percebe que o Daniel gosta de você. O problema é que você não está divorciada, ele é noivo, e você quer evitar fofocas.
— Ele vai ficar noivo da Clara na semana que vem e eles farão uma festa para os convidados.
Qualquer pessoa conseguia notar que Daniel não tinha nenhum sentimento por Clara, pelo contrário, ele a odiava.
Beatriz abaixou os olhos e apertou as roupas inconscientemente: — Vocês, homens, detestam mulheres de quem não gostam, mas que insistem em se casar com vocês?
Felipe a encarou em silêncio e não disse mais nada.
Diante da falta de palavras e da não resposta de Felipe, Beatriz já havia entendido.
— Já entendi.
Felipe observou a expressão dela e seu pomo de adão se moveu: — Isso varia de pessoa para pessoa, nem todos detestam.
Beatriz deu um leve sorriso: — Mas a maioria detesta, principalmente quem ocupa cargos altos. Eles odeiam que alguém que não lhes agrada lhes seja empurrado goela abaixo.
Então, era por isso que Arthur a detestava.
Ele nunca gostaria dela; não importa que os cinco anos de dedicação dela fossem superados por alguns meses de Sophia. E nem mesmo dez ou cinquenta anos seriam suficientes para mudar isso.
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