Seu pulso doía pela forma como o homem a puxava.
Sem dizer uma palavra, arrastou-a para a saída de emergência, e Beatriz tentou se desvencilhar bruscamente.
Mas não tinha força suficiente e não conseguia se soltar.
— Me solte. — disse Beatriz num tom raso, contendo o fôlego.
Arthur soltou sua mão.
— No incidente de hoje, coloque seu nome no relatório. — Ele olhou para ela de cima, com um tom de voz que soava como se pedisse um simples favor rotineiro. — A Sophia acabou de começar a trabalhar, é uma novata. Você assume a culpa e mantém o currículo dela limpo.
Beatriz olhou para ele chocada, como se tivesse escutado errado.
As palavras golpearam seu íntimo com violência, deixando-a estraçalhada, desde sua frieza até a forçar a levar a culpa. O coração dela também era feito de carne, também era capaz de sofrer.
Seus lábios ficaram brancos enquanto lutava para reprimir suas emoções:
— Então devolva a bolsa de estudos para a minha colega.
As bolsas eram raras, e para devolvê-la, significaria que Sophia teria que ser retirada.
— Impossível. — Ele não hesitou por um momento sequer para rejeitar o pedido.
Como se podia imaginar, como Arthur permitiria que sua menina dos olhos sofresse?
— E se a sua querida menina cometeu um erro, por qual motivo devo ser eu a assumir as consequências?
— Beatriz, foi você quem não tomou conta dela. — Sua paciência pareceu acabar, encarando-a com uma aura negra, densa como nuvens de tempestade, fria e aguda. Ele levantou a mão para segurar o seu queixo; era como o presságio de um furacão: — Pense nas contas médicas de sua mãe e no seu pai na cadeia.
Contas médicas?
Ela achava graça. Ele não havia cancelado os cartões de crédito dela há muito tempo? Como ele tinha a cara de pau de mencionar aquilo de novo? Ainda se atrevia a usar aquilo como ameaça?
— Como você quiser. — Ela levantou a mão e empurrou a mão de Arthur para o lado. — Como médica, eu tenho meus limites profissionais e morais. Se a Sophia necessita de um currículo limpo, eu também preciso. E se ela for verdadeiramente qualificada, como pode ter cometido um erro de principiante tão tolo como o de hoje?

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