Com o olhar sereno, Beatriz disse:
— Você acabou de chegar ao hospital, algumas coisas precisam ficar claras. Um prontuário não é o currículo de um médico, mas sim uma vida humana. A não ser que o médico responsável cometa um erro grave, não existe essa história de transferir um caso.
— Se quiser casos bons, esforce-se você mesma.
Aquelas palavras foram extremamente frias, não dando a mínima importância à imagem de Sophia.
Sophia ficou um pouco paralisada. Dessa vez, não havia nenhum Arthur para apoiá-la.
Acreditava-se que ela fosse chorar, mas, surpreendentemente, a garota fez beicinho e sorriu:
— Então é assim. Eu achei que também teria a minha parte. Agora já sei, muito obrigada por me ensinar, Beatriz.
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Durante o intervalo do almoço.
Arthur chegou. Sophia tinha ido ao banheiro e não estava no escritório.
Beatriz tinha alguns prontuários em mãos e estava a caminho do posto de enfermagem. Ao passar pelo corredor, viu Arthur com uma sacola do Restaurante Mont Noir nas mãos.
Dava para ver que ele realmente se importava com a garota. Sempre que tinha um tempo livre, corria para o hospital, trazendo até o almoço.
E ela, certa vez, desmaiou de hipoglicemia de tanta fome, e Arthur disse que estava em uma reunião, ocupado com o trabalho, sem nem sequer ir vê-la.
Isso sem falar em levar de manhã, buscar à noite e ainda entregar almoço ao meio-dia. Era simplesmente uma ilusão.
Beatriz apertou os prontuários em suas mãos, baixou levemente o olhar e fingiu que não o tinha visto. Não queria lidar com ele, apenas continuou de cabeça baixa, lendo as anotações, e pretendia passar direto por ele.
No segundo seguinte, o homem agarrou seu pulso.
— Onde está a Sophia? — ele perguntou em tom de exigência.
Ela ficou um pouco irritada e olhou para trás:
— Ela é sua namorada, não acha inapropriado me perguntar, Sr. Diniz?
— Ela está grávida, não pode se cansar muito. Que tipo de trabalho você passou para ela que ainda não descansou na hora do almoço? Se algo acontecer com ela e o bebê na barriga...
Ele não parava de falar sobre o quanto a gravidez a tornava frágil. Ela ainda nem estava divorciada, será que ele não entendia que arrumar uma amante era uma atitude sem vergonha?!
— Como se mais ninguém já tivesse engravidado? — Beatriz riu de pura raiva. Depois de aguentar por tantos dias, não pôde mais suportar e o interrompeu diretamente. — Sr. Diniz, uma gravidez não é tão frágil assim. Já que ela veio ao hospital, ela tem que fazer o seu trabalho. Não se pode receber salário e não fazer nada. Querer o melhor dos dois mundos, onde existe algo tão bom assim?


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