Vivienne desliza os dedos por entre os cachos, a raiva ainda pulsando em suas veias, enquanto sua bochecha queima com a lembrança do tapa. Em passos silenciosos, ela caminha até o quarto, abrindo a porta devagar. Seu coração dispara ao encontrar Dominic dormindo serenamente, alheio ao caos que acabou de acontecer em sua casa. Encostada no batente da porta, sua mão pousa instintivamente sobre o ventre, num gesto protetor.
— Agora o papai está bem, meus amores. — Vivienne sussurra, como se compartilhasse uma conversa com os filhos. Lágrimas escapam sem permissão, traçando caminhos por seu rosto, um misto de alívio ao vê-lo tão sereno e uma determinação feroz de construir algo sólido para seus filhos. — Olhem só para ele, como não se apaixonar? — Continua, sua voz treme levemente, enquanto se aproxima da cama, seus olhos admirando cada detalhe dele. Um suspiro escapa de seus lábios enquanto a razão briga com seu coração. Os gestos de proteção, o carinho genuíno, tudo nele, a faz acreditar que encontrou seu porto seguro. — Vivienne, você está perdendo o juízo. — Repreende-se, consciente de que dias não são suficientes para planejar um futuro, especialmente quando ela mesma carrega tantos segredos. — Como exigir verdades quando você mesma vive de mentiras?
Com delicadeza, ela se senta ao lado dele, seus dedos traçando suavemente o contorno de seu rosto. Num impulso que a surpreende, inclina-se para depositar um beijo suave em seus lábios.
— O que está acontecendo comigo? — Murmura, contra os lábios dele, a voz trêmula, carregada de uma mistura de confusão e medo. A vulnerabilidade a assusta, tanto quanto o impulso que a levou até aquele momento, expondo sentimentos que ela não consegue controlar.
Acomodando-se ao lado dele, Vivienne repousa a cabeça em seu peito, sentindo o ritmo suave da respiração dele. Sua mão desliza lentamente pelo abdômen, o tecido fino do pijama, tornando o toque mais íntimo. As próprias carícias provocam nela uma respiração irregular, como se a proximidade fosse mais intensa do que o esperado. Seus dedos alcançam os cabelos dele, continuando o gesto suave e quase inconsciente.
Quando o peso do sono começa a envolvê-la, trazendo um conforto quase reconfortante, o som estridente da campainha corta o silêncio, arrancando-a bruscamente de sua tranquilidade. Seu corpo se sobressalta, o coração acelerando, enquanto tenta processar o que acabou de acontecer.
— Droga! — Resmunga, erguendo-se com cuidado para não perturbar seu sono. Pega o celular da cômoda e deixa o quarto em silêncio. Seus passos apressados a levam à porta, mas seu corpo trava ao tocar a maçaneta. — Quem é? — Pergunta, sua voz treme, carregada de receio por mais confrontos.
— Farmácia, entrega. — A voz masculina do outro lado a faz soltar o ar que nem percebeu estar segurando.
— Muito obrigada! — Agradece, o alívio é evidente em sua voz ao pegar o pacote com os medicamentos.
Vivienne fecha a porta com um suspiro cansado e arrasta-se até a sala de jantar. Seus olhos percorrem meticulosamente as prescrições de Louis, enquanto conferem os medicamentos, notando a ausência de alguns. Uma nota de observação captura sua atenção, fazendo-a franzir a testa.
“Senhorita Bettendorf, apenas hoje, acorde Dominic às oito da noite para tomar a medicação e se alimentar. A partir de amanhã, peço que siga rigorosamente os horários estabelecidos para as medicações e alimentação.”
— Sim, senhor. — Resmunga, seu estômago protestando ao lembrar que não se alimentou desde que acordou. — Preciso cuidar melhor da minha alimentação. — Comenta para si mesma, arrastando-se até a cozinha. — Droga, a Joana! — Murmura, iniciando a ligação no viva-voz, enquanto vasculha a geladeira.
— Que horas você virá? — A voz ansiosa de Joana invade a cozinha antes mesmo de um “olá”.

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