Embaixo do chuveiro, Vivienne deixa a água quente aliviar sua tensão, buscando alguns minutos de paz em meio ao caos que sua vida se tornou. Após um banho prolongado, o ritual meticuloso de secar os cabelos, sua higiene pessoal e a escolha cuidadosa de roupas apropriadas para o ambiente corporativo, ela retorna à sala. Não encontrando Joana ali, segue o aroma convidativo de café fresco até a cozinha, onde se surpreende ao encontrar tudo perfeitamente organizado, café fresco e mesa impecavelmente posta.
— Você é incrível. — Vivienne elogia, aproximando-se para depositar um beijo afetuoso na bochecha de Joana. — Obrigada. — Agradece, acomodando-se à mesa, seus olhos percorrendo com prazer o café da manhã caprichado.
— Só retribuindo todas às vezes que você me mimou devido ao Ca... — Joana interrompe a si mesma, evitando trazer aquela lembrança à tona. — Bem, você sabe. — Finaliza, servindo-se de café.
— Me desculpa pelo meu comportamento de ontem. — Murmura, aproveitando o momento. — Não era assim que planejava te receber. — Acrescenta, com um sorriso envergonhado.
— Considerando tudo que está acontecendo, amiga. — Comenta, saboreando um gole de café. — É compreensível. — Continua, como se aquele fosse apenas mais um diálogo cotidiano entre elas. — Você sempre vira a senhora robô, quando está em crise, toda metódica e controlada. — Provoca, uma risada suave escapando de seus lábios, já havia lidado com a amiga assim inúmeras vezes.
— Não faço isso. — Protesta, mordiscando um biscoito.
— Não? — Retruca, pousando sua xícara. — “Seu jantar sofrerá atrasos”, “esqueci as normas básicas de higiene”. — Imita, num tom exageradamente formal, arrancando risadas de Vivienne. — Além de fugir dos assuntos, você vira a rainha da formalidade, cheia dos palavreados difíceis e monótonos. — Acrescenta, conhecendo a amiga, há tempo demais para ignorar suas manias e peculiaridades. — Certeza de que, se te abrirem, só encontraram fios e circuitos no lugar dos órgãos. — Completa, rindo com a amiga, uma risada que ecoa como um laço de cumplicidade entre elas.
— Tudo bem, admito que posso me tornar um pouco robótica quando tento esconder meus sentimentos. — Confessa, a sinceridade em sua voz acompanhada de um leve suspiro.
— É da tua natureza, você foi ensinada desde cedo a seguir todos os protocolos e etiquetas. — Declara, percebendo no mesmo instante que falou demais, ao ver a sobrancelha perfeitamente delineada da amiga se erguer.
— E então, como foram as férias no Brasil? — Pergunta, desviando com a habilidade que desenvolveu ao longo dos anos para escapar de assuntos difíceis.
— Maravilhosas! — Responde, com entusiasmo característico. — Bem, tirando um detalhe chamado “aquele traste”. — Revela, vendo os olhos de Vivienne se arregalarem com interesse. — Imagina que o sem vergonha teve a audácia de me convidar para um “café inocente”? — Acrescenta, fazendo aspas com os dedos e soltando uma risada nada convincente.
— Por favor, me diz que você não aceitou. — Pede, reconhecendo aquele sorriso sapeca que sempre denunciou as aventuras dela. — Não acredito, Joana! — Repreende, mas sua tentativa de parecer séria se desfaz em meio às risadas que escapam.
— Caramba, olha só que dia maravilhoso pela janela! — Desconversa, descaradamente, fugindo do interrogatório.
— Continuo decidindo se te jogo pela janela agora ou depois do café. — Dispara, provocando uma gargalhada gostosa na amiga.


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