Dominic desliza a mão pelo próprio corpo, sentindo o tecido áspero da vestimenta hospitalar contra sua pele. Seus olhos percorrem o ambiente até identificar o familiar logotipo da clínica de seu tio. Com movimentos ainda letárgicos, observa o quarto em busca de seus pertences, localizando seu celular e relógio sobre uma cômoda adjacente à cama. Estica o braço, alcançando os objetos com dedos trêmulos.
— Droga, era exatamente o que eu precisava para completar meu estresse. — Pronuncia, ao constatar que já são dez horas da manhã. Seu maxilar tenciona ao visualizar a tela do celular repleta de chamadas perdidas e mensagens de Vivienne. — Como se eu já não tivesse problemas suficientes. — Murmura, deslizando para fora da cama, irritado consigo mesmo por deixá-la sozinha. Quando seus pés encontram o chão frio, a porta do quarto se abre abruptamente, revelando Louis acompanhado de uma enfermeira, ambos com expressões preocupadas.
— Dominic, presumo que esteja tentando adicionar mais uma concussão à sua coleção? — Louis questiona, com severidade profissional, apressando-se em direção à cama.
— Ah, perdoe minha indelicadeza em não aguardar sua autorização para me levantar, tio. — Retruca, com um sarcasmo mais brando que o habitual, sua voz revelando o carinho subjacente, enquanto tenta organizar os fragmentos dispersos em sua memória. — Embora eu aprecie seus cuidados, seria muito inconveniente me explicar o motivo desta adorável estadia?
— Primeiro, sente-se. — Instrui, com autoridade clínica, seus olhos detectando o filete de sangue que escorre pelo braço do sobrinho. — Por favor. — Acrescenta, com firmeza, até que Dominic, mantendo sua pose altiva mesmo ao ceder, retorna à cama. Com um olhar incisivo, Louis orienta a enfermeira a tratar o ferimento. — Você teve uma convulsão no escritório do seu avô. — Informa, pousando uma mão reconfortante no ombro do sobrinho ao notar o lampejo de vulnerabilidade que brevemente quebra sua máscara de compostura. — Houve uma concussão, então optei por induzir o sono para permitir que seu corpo descansasse e prevenir novas convulsões.
— Tio. — Começa, com um suspiro resignado, seu tom oscilando entre gratidão e frustração. — Sei que fez o necessário, mas… — Hesita, passando a mão pelos cabelos em um gesto característico de preocupação.
— Preferia que eu tivesse deixado você enfrentar isso sozinho? — Questiona, apertando levemente o ombro do sobrinho. — Dom, você precisa descansar. — Prossegue, verificando sua temperatura. — Farei mais alguns exames, mas você ficará mais um dia em observa…
— Tio Louis. — Interrompe, seu tom agora mesclando respeito e determinação — Agradeço sinceramente seus cuidados, mas não posso ficar. Vivienne já passou tempo demais sozinha. — Explica, sua voz suavizando ao mencionar o nome dela. — Minhas roupas?
— Dominic, sua teimosia está ofuscando seu raciocínio. — Observa, enquanto gesticula, para a enfermeira trazer as vestimentas. — Dom, você está no período prodrômico devido às medicações. — Argumenta, observando o sobrinho se vestir com movimentos precisos. — Quando o efeito passar, os sintomas retornarão, possivelmente com maior intensidade.
— Sua preocupação significa muito para mim, tio. — Responde, com sinceridade, ajustando os punhos da camisa. — Mas asseguro que posso administrar perfeitamente bem minha própria condição. — Assegura, apertando brevemente o braço do tio em um gesto raro de afeto. — E se algo piorar, você será o primeiro a saber.
Louis observa enquanto Dominic recolhe seus pertences, sabendo que por trás da aparente teimosia existe um homem que aprendeu a equilibrar suas responsabilidades com o cuidado próprio, mesmo que às vezes precise de um lembrete.

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