Dominic mantém o olhar fixo no lago, permitindo que as palavras de Noah se infiltrem lentamente em seus pensamentos. Uma risada curta e seca escapa de seus lábios, marcada por uma incredulidade que logo dá lugar a uma dolorosa aceitação. A reação inicial já havia se dissipado, substituída por uma compreensão fria e amarga. Pelo comportamento recente do avô, aquilo era algo que ele quase já esperava.
— Sabia que Grant Muller não prestava. — Dominic começa, sua voz carregando anos de mágoas e desconfianças. O movimento do irmão ao seu lado é como um eco de tempos mais simples, quando podiam confiar um no outro cegamente. — Mas essa maldade, é algo novo. — Faz uma pausa significativa. — Só conheci sua verdadeira extensão após a ameaça grotesca que ele mandou para a Vivienne. — Afirma, seus olhos estudam cada microexpressão do irmão, buscando qualquer sinal de cumplicidade com os planos sórdidos do avô.
— Ameaça? — Noah questiona, a surpresa em seu rosto parecendo tão genuína quanto sua confusão. — Que tipo de ameaça? — Pergunta, há um tremor em sua voz que sugere que talvez ele tema a resposta.
— Uma caixa macabra, com hamsters mortos boiando em algum líquido. — Revela, observando o horror crescer nos olhos do irmão. — E uma língua, de algum animal, que prefiro não especular a origem. — Completa, notando como a perplexidade de Noah parece transbordar em náusea.
— Porra! — Murmura, sacudindo a cabeça como se o movimento pudesse apagar as imagens grotescas que agora povoam sua mente.
Dominic se ergue de repente, seus movimentos carregados de determinação, a figura alta e imponente projetando uma sombra pesada sobre Noah. Sentado, o irmão parece pequeno sob o peso da presença dele, enquanto ele o encara com uma força que não precisava de palavras para ser sentida.
— Noah. — Começa, a voz baixa e firme, carregada de um controle que deixa claro o perigo em suas palavras. — O que você pretende fazer? — Pergunta, cada sílaba marcada por um tom que não aceita desculpas. Ele dá um passo à frente, inclinando-se ligeiramente, os olhos cravados no irmão, que permanece quieto. — Irá machucar a Vivienne? — Continua, desta vez com um tom mais duro, a pergunta carregando um aviso que dispensa explicações. Ele não precisa levantar a voz. Sua presença, cada movimento calculado, deixa claro que ele não permitirá nenhuma escolha errada.
— Quando ele sugeriu, sim, eu cogitei. — Responde, a voz firme, mas carregada de um desconforto. Ele se levanta devagar, dando um passo para trás, como se precisasse colocar distância entre ele e as palavras que acabou de dizer, ou talvez entre ele e o julgamento silencioso de Dominic. — Estava consumido pela raiva, pela mágoa, me afogando em um sentimento de traição que eu mesmo criei. — Afirma, uma risada sem humor escapa de seus lábios, o som carregado de autodepreciação. — Mas a verdade, Dom, é que realmente amo a Vivienne. — Admite, observando como a expressão do irmão permanece impassível, como se seus sentimentos fossem um livro aberto que Dominic já leu há muito tempo. — Fui um canalha com ela. — Continua, sua voz baixa, quase um sussurro, cada palavra pesada de vergonha e arrependimento. — E a ironia é que a perdi não para você, não para outro homem. — Declara, seus olhos encontram finalmente os do irmão. — Mas para meus próprios erros, para minha covardia. Por não ser o homem que ela merecia, que eu deveria ter sido. — Conclui, seus dedos percorrendo os cabelos num gesto nervoso que denuncia sua vulnerabilidade.
— Noah…

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Escolha Certa com o CEO Errado