Noah desliza a mão pelo chão, seus dedos encontrando uma pedrinha fria e lisa. Com um movimento preciso, ele a arremessa ao rio. Ambos observam em silêncio, enquanto a pedra salta duas vezes sobre a superfície escura da água, antes de afundar lentamente, como se carregasse o peso das palavras ainda contidas.
Dominic se aproxima e se senta ao lado dele, apoiando os cotovelos nos joelhos flexionados. Ele permanece quieto, seus olhos seguindo o próximo arremesso de Noah. A nova pedrinha traça um arco perfeito, tocando a água uma, duas, três vezes antes de desaparecer nas profundezas.
— Lembra quando competíamos para ver quem conseguia mais saltos? — Noah pergunta, quebrando o silêncio, enquanto j**a outra pedrinha no lago.
— Sim, eu lembro. — Dominic responde, após um instante, pegando uma pedra e arremessando também. — Troy sempre ganhava. — Acrescenta, um leve sorriso curvando seus lábios, carregado de saudade.
— Você contou ao vovô o que aconteceu naquela noite? — Questiona, cada palavra saindo como se carregasse o peso de um segredo guardado por anos demais.
— Não, disse para ele perguntar a você. — Responde, deixando escapar um suspiro carregado, enquanto seus olhos se perdem na superfície calma do lago. — Já se passaram muitos anos, Noah. Ele nunca acreditaria em qualquer versão que viesse de mim. — Acrescenta, com uma nota de resignação, arremessando outra pedra que desaparece rapidamente nas águas escuras.
— Ele me questionou há alguns dias. — Revela, seu corpo girando para encarar o irmão, o movimento evidenciando a tensão em seus ombros. — Mantive a história de sempre. — Acrescenta, suas palavras pairam no ar como uma confissão silenciosa. — Você se arrepende das escolhas daquela noite? — Pergunta, suavemente, observando Dominic abaixar a cabeça, um gesto que carrega o fardo de decisões tomadas há tanto tempo.
— Se fosse hoje, faria diferente. — Murmura, seu olhar fixo em algum ponto distante, como se pudesse ver o passado refletido ali. — E não é pelo ódio do vovô. — Assegura, encontrando finalmente os olhos do irmão. — Com o tempo, a gente começa a enxergar as coisas de outra forma. Se ela tivesse morrido. — Sua voz falha por um instante. — Seria apenas mais um acidente, não a irresponsabilidade que realmente foi.
— Você está certo. — Concorda, deixando as palavras pairarem no ar por um instante antes de se calar novamente, permitindo que o silêncio reassuma o espaço entre eles.
— Noah, por que estou aqui? — Questiona, percebendo como o irmão evita seu olhar, voltando a lançar pedrinhas no lago num gesto que parece mais uma tentativa de ganhar tempo que um passatempo.
— O que sentiu quando descobriu que seria pai? — Pergunta, finalmente, suas mãos deslizando pelo rosto até se infiltrarem no cabelo num gesto de inquietação que Dominic conhece tão bem.

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