Por um instante, Louis observa a cena diante de si, e uma onda de emoção o invade. Ele se lembra com clareza do dia em que sua irmã estava na mesma posição, aguardando ansiosa pela primeira ultrassonografia que revelaria a chegada dos trigêmeos. A lembrança o faz sorrir, mesmo que brevemente.
— Dom. — Louis declara, aproximando-se da cama e assumindo o lugar para iniciar o exame. — Minha primeira ultrassonografia foi na sua mãe. — Conta, a nostalgia evidente em sua voz, enquanto um sorriso discreto surge nos lábios do sobrinho. — Os primeiros corações que ouvi foram os de vocês. — Acrescenta, sua emoção transparecendo na lembrança.
— Imagino a expressão de pânico da minha mãe. — Dominic comenta, o tom divertido, mas a familiaridade nas palavras demonstra o quanto ele valoriza as histórias que sempre ouviu sobre aquele momento.
— Vamos ver se a senhorita Bettendorf consegue manter a compostura melhor do que sua mãe. — Louis brinca, arrancando uma risada curta, mas genuína, de ambos.
— Nem ouse brincar com isso, doutor Muller. — Vivienne responde, rapidamente, o tom leve e brincalhão, mas com uma pontada de verdade que ela não consegue esconder. — Só de pensar em gêmeos já é assustador, imagine trigêmeos. — Acrescenta, cruzando os braços e desviando o olhar, como se aquilo fosse uma possibilidade que ela preferisse não considerar.
— Vamos descobrir juntos. — Louis comenta, mantendo o tom profissional, enquanto organiza o equipamento. — Vou aplicar o gel agora. Pode estar um pouco frio. — Avisa, lançando um olhar rápido para Vivienne, que tenta disfarçar o nervosismo com um pequeno sorriso.
Quando o gel toca sua barriga, Vivienne sente um arrepio percorrer sua pele, o frio do contato contrastando com o calor da mão de Dominic segurando a sua. Seus olhos buscam os dele, e ela encontra conforto naquele olhar intenso e protetor. Ele não diz nada, mas o polegar desliza suavemente sobre os dedos dela em um gesto carinhoso, como se quisesse acalmar cada medo silencioso que pudesse surgir. Ainda assim, ela nota o nervosismo escondido nos pequenos detalhes, o leve apertar de lábios e a tensão nos ombros. Dominic estava claramente tão ansioso quanto ela, mas ainda assim, fazia de tudo para ser o porto seguro que ela precisava naquele momento.
A tela do monitor ganhou vida, exibindo sombras em preto e branco que, para um olhar não treinado, pareciam um mosaico abstrato. Mesmo assim, a atenção de Vivienne e Dominic foi imediatamente capturada, os dois inclinando-se sutilmente, como se pudessem decifrar o que viam apenas pela intensidade do olhar. O som rítmico do aparelho começa a preencher a sala, criando uma atmosfera quase hipnótica, enquanto Louis desliza o transdutor com precisão, ajustando-o com cuidado em busca da melhor posição para revelar o bebê ou bebês.
— Aqui está. — Louis anuncia, sua voz profissional suavizando-se ao perceber o momento único que está prestes a revelar. Seus dedos ajustam os controles do aparelho com a precisão de anos de experiência, enquanto um sorriso discreto brinca em seus lábios. — Nada diferente do esperado, estou visualizando dois sacos gestacionais.
Os lábios de Vivienne e Dominic se entreabrem em uma surpresa silenciosa, como se as palavras tivessem sido roubadas de ambos ao mesmo tempo. Suas respirações ficam suspensas, preenchendo o momento com uma quietude carregada de emoção. A possibilidade sempre existiu em suas mentes, mas agora, vendo a confirmação na tela, tudo se torna intensamente real.
Vivienne sente as lágrimas brotarem, seus olhos fixos no monitor, incapazes de desviar, como se quisesse guardar aquele instante para sempre. Dominic, por outro lado, permanece imóvel, segurando a mão dela com mais força, como se aquele gesto fosse o único que o conectasse ao momento.
Quando finalmente troca um olhar com ele, Vivienne sente um nó apertar sua garganta ao observar os olhos de Dominic. Eles estão cheios de lágrimas, algo que ele raramente deixa transparecer. Era como se aquele momento tivesse rompido todas as barreiras que ele tão cuidadosamente mantinha.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Escolha Certa com o CEO Errado