Entrar Via

7 anos de casamento, um ultimato: “Filho ou divórcio!” romance Capítulo 189

POV Isadora

Assinar papéis é fácil. O difícil é assinar o que não se diz.

Enquanto o corretor organizava os documentos, eu observava Dante de longe, conversando com o homem sobre prazos, reformas, mudança. Ele estava empolgado, com aquele brilho juvenil que fazia tempo que eu não via. E mesmo assim, eu sentia algo latejando no fundo do peito.

Camila.

Aquela ligação não era sobre trabalho. Não era só preocupação corporativa. Eu conhecia o tom da voz dela, já tinha ouvido antes, dias atrás, naquele jantar, quando ela sorria demais pro homem que agora era o pai da minha filha.

Mas ele a rejeitou, eu sabia disso. Então por que ainda soava como uma ameaça?

— Isa? — A voz de Dante me puxou de volta. Ele se aproximou, sorrindo. — Eles vão liberar a casa em duas semanas.

— Duas semanas?

— É. Dá tempo de arrumar tudo, comprar o que faltar… — Ele me olhou com ternura. — A gente vai começar direito dessa vez.

Eu sorri. Ou tentei. Mas o olhar dele demorou em mim.

— Tá tudo bem?

— Tá. — respondi rápido demais. — Só cansada.

Ele não pareceu convencido, mas não insistiu.

Saímos da casa de mãos dadas, e o sol já estava alto. O vento do mar bagunçava meu cabelo, e ele, talvez sem perceber, puxou uma mecha pra trás da minha orelha com um gesto tão automático, tão íntimo, que por um segundo, eu esqueci tudo.

Até o toque breve do celular dele vibrar de novo.

Camila. O nome brilhou na tela: curto, cruel, insistente. Ele não atendeu dessa vez. Apenas desligou, guardando o telefone no bolso.

— Não importa. — disse ele, como se adivinhasse o que eu pensava. — Nada disso importa mais.

Mas importava. Porque no fundo, por mais que eu quisesse acreditar, havia uma sombra em mim que ainda não sabia confiar.

***

No caminho de volta, o carro seguia em silêncio. O som do motor e o mar distante eram os únicos ruídos entre nós. Eu olhava a paisagem pela janela, as casas pequenas, as pessoas caminhando com sacolas, a vida simples que parecia tão distante da nossa realidade.

Dante dirigia com uma mão no volante e a outra apoiada no câmbio. Relaxado, mas distante. E eu sabia que a cabeça dele ainda estava dividida entre o que deixava pra trás e o que tentava construir agora.

Quando o carro parou num sinal, ele me olhou de canto.

— Eu sei o que você está pensando.

— Duvido.

— Tá pensando que essa mulher significa alguma coisa.

“Você vai se arrepender.”

Talvez Camila tivesse dito aquilo pra ferir. Ou talvez soubesse algo que eu ainda não sabia.

Mas eu olhei pra dentro, Dante debruçado sobre o berço, ajeitando o cobertor da nossa filha com o cuidado de quem tenta consertar o mundo e decidi guardar minhas dúvidas pra mim. Por agora.

Porque às vezes o amor é isso: confiar com medo, mas ainda assim ficar.

Atrás de mim, ele surgiu, encostou o queixo no meu ombro e disse baixinho:

— A casa é o primeiro passo. Depois, o resto vem.

Assenti.

— A gente merece um recomeço.

— A gente merece paz.

E ficamos ali, abraçados, vendo o pôr do sol cair sobre o mar, fingindo, só por alguns minutos, que o mundo lá fora não estava prestes a nos cobrar por todas as escolhas que fizemos.

Mas ele estava. E eu sabia que aquele nome, Camila, ainda voltaria a ecoar, mais cedo ou mais tarde. Contudo, preferi ignorar a existência dela e aproveitar minha família.

Precisávamos contratar uma babá de confiança e também seguranças. Não queria mais correr o risco da nossa casa ser invadida como da última vez.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: 7 anos de casamento, um ultimato: “Filho ou divórcio!”