POV Isadora
A noite, decidir caminhar pela beira mar. Precisava pensar sobre os últimos acontecimentos e me acalmar. Deixei Sofia com a babá e o Dante no telefone, resolvendo os problemas com a mídia.
O mar sussurrava, uma voz constante, como se o mundo respirasse devagar. O vento batia no meu rosto e eu deixava. Precisava sentir alguma coisa que não fosse culpa, medo ou raiva. Só... sentir.
As ondas vinham e iam, e eu pensava em tudo que tinha desabado nos últimos dias. Na coletiva. Na mentira. No toque nojento de Heitor. No olhar de Dante logo depois, tentando segurar o próprio caos. Tudo era um turbilhão. E eu estava ali, tentando não afundar.
Fechei os olhos. Respirei fundo. O sal grudava nos meus lábios, o som do mar misturava-se ao barulho distante da cidade. Por um segundo, quis desaparecer ali, virar espuma, vento, qualquer coisa menos eu.
Depois de um tempo, que poderia muito bem ser horas, ouvi passos atrás de mim e a voz que eu amo bradou:
— Eu devia saber que te encontraria aqui.
A voz veio mansa, rouca, familiar. Virei devagar. Dante vinha caminhando pela areia, o blazer pendendo dos ombros, o vento bagunçando o cabelo dele. Havia algo cansado no jeito que ele andava, como se o peso do mundo estivesse preso às costas.
— Precisei sair um pouco. — minha voz saiu baixa. — A casa parecia... pesada.
Ele assentiu, parando ao meu lado. Por alguns segundos, não dissemos nada. Só o mar entre nós e o não-dito pairando no ar.
— Eu devia ter te acompanhado — disse ele, depois de um tempo. — Desde o começo.
— Não dá pra controlar tudo, Dante. — olhei o horizonte. — Nem as pessoas, nem as mentiras... nem o que acontece com a gente.
Ele soltou uma risada seca.
— É. Mas eu queria ao menos conseguir te proteger disso.
Virei pra ele. Os olhos dele estavam cravados nos meus, escuros, intensos, cheios de algo que era dor e amor na mesma medida. Aquela expressão me desmontava. Sempre me desmontou.
— Você não falhou comigo — eu disse, com a voz trêmula. — Quem errou não foi você.
Fechei os olhos. Senti o coração dele bater rápido, igual ao meu. E, pela primeira vez em muito tempo, a noite pareceu menos escura.
O ar entre nós já não era apenas quente, era denso, carregado de uma eletricidade que fazia a minha pele arrepiar. Então, ele me beijou novamente.
O beijo inicial, doce e reconhecedor, transformou-se em algo mais urgente, mais faminto. O sussurro de Dante não era apenas uma promessa; era um pacto selado na brisa salgada, e eu respondi não com palavras, mas com a ação de puxar o blazer dele, deixando-o cair na areia escura.
As mãos dele, que estavam na minha cintura, deslizaram para as minhas costas, pressionando-me contra o corpo dele com uma força que me tirou o fôlego. Um gemido baixo escapou da minha garganta, abafado pela boca dele. Eu me permiti afundar naquele calor, naquela solidez.
Minhas mãos tremeram ao abotoar a camisa social dele, encontrando a pele quente e tensa por baixo. Quando minhas palmas se espalharam sobre o peito dele, sentindo o coração batendo descompassado contra as minhas costelas, um arrepio percorreu minha espinha.
Ele quebrou o beijo por um instante, apenas o suficiente para arrancar a própria camisa e deixá-la cair sobre o blazer. Seus olhos, agora completamente escuros na penumbra, devoraram-me. Havia uma reverência na forma como suas mãos subiram novamente, desta vez para deslizar as alças do meu vestido pelos meus ombros.
O tecido, leve, cedeu ao peso, escorregando lentamente pelo meu corpo até formar um círculo escuro aos meus pés. Fiquei ali, exposta ao vento, ao sal, ao olhar dele, e senti meu corpo responder com um rubor quente, não de vergonha, mas de antecipação.
— Isadora... — meu nome saiu dos lábios dele como uma oração, um som rouco e quebrado.

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