POV Isadora Ferraz.
— Meu menino Dante! — exclamou ela, assim que o viu, abrindo os braços.
Dante foi até ela e a abraçou forte.
— Eu disse que um dia ainda ia te tirar daquela casa.
— E demorou, viu? — ela respondeu, dando um tapinha nas costas dele. — Mas antes tarde do que nunca.
Ele riu, e eu me aproximei.
— E essa deve ser a Isadora — ela disse, voltando-se pra mim.
— Sou eu — sorri, apertando a mão dela. — Seja bem-vinda, dona Clarice.
— Me chame de Clarice, só Clarice. — ela disse, com aquele sotaque do sul arrastado que deixava tudo mais doce. — E essa pequenininha?
Dante pegou Sofia no colo e apresentou:
— Essa é a Sofia. A nova dona da casa.
Clarice se derreteu na hora.
— Ah, meu Deus do céu… igualzinha a você quando era bebê, Dante. — Ela beliscou a bochecha da menina e riu. — Vai dar trabalho.
— Já dá — respondi, sorrindo.
Enquanto Clarice explorava o espaço e se encantava com cada detalhe, Dante me puxou de leve pro canto.
— Eu te disse que ela ia amar.
— Ela é um encanto — murmurei. — E ela te ama.
— Ela me aturou, é diferente. — ele brincou, e então baixou o tom. — Isa…
— Hm?
— Eu tô voltando pra Vertigem.
Demorei um segundo pra processar.
— Pra editora?
— É. — Ele cruzou os braços, o olhar distante por um instante. — Já falei com o conselho. A transição está feita. Oficialmente, eu tô fora do império Harrison.
— Isso é… — sorri, sem conter o alívio. — Isso é ótimo, Dante.
— É libertador. — Ele riu, e havia algo genuíno naquele riso. — Eu devia ter feito isso um tempo atrás.
— Vai voltar a trabalhar comigo, então?
Ele arqueou uma sobrancelha.
— Tá animada ou preocupada?
— Um pouco dos dois.
Ele se aproximou, o sorriso agora mais suave.
— A Vertigem sempre foi nossa, Isa. Só ficou adormecida por um tempo.
— E o que vai fazer lá?
— Tudo. — Ele respondeu, simples, confiante. — Quero relançar autores, recuperar o catálogo antigo, abrir espaço pra novos roteiristas… e trabalhar ao seu lado, do jeito certo dessa vez.
Meu coração apertou, mas de um jeito bom.
— Então estamos bem equilibrados. — Ele riu. — Eu trago o caos, você traz a paz.
— E ela traz o sentido.
Ele virou pra mim, e naquele instante, o tempo pareceu parar.
Nenhum dos dois disse mais nada. Ele apenas se aproximou, me beijou e me abraçou, e por alguns minutos, ficamos assim, em silêncio, ouvindo apenas o som do mar e a respiração suave da nossa filha.
A casa estava viva. A gente também.
E, pela primeira vez em muito tempo, eu acreditei de verdade que dava pra recomeçar.
Mais tarde, já na varanda, o céu estava pontilhado de estrelas. Dante sentou-se ao meu lado, uma taça de vinho na mão, o olhar perdido no horizonte.
— Sabe o que é louco? — disse ele. — Tudo o que eu achava essencial perdeu o valor quando eu pensei que você iria embora.
— E agora?
— Agora eu só quero ficar.
O vento soprou mais forte, bagunçando meu cabelo, e ele riu, afastando uma mecha do meu rosto.
— Você tá feliz, Isa? — perguntou, sério agora.
Pensei por um instante. Olhei a casa, o jardim, o quarto iluminado por dentro. Ouvi o som distante do mar.
— Sim. — respondi. — Pela primeira vez em muito tempo, estou.
Ele sorriu e me puxou mais pra perto.
— Então já valeu a pena.
Fechei os olhos, deixando minha cabeça repousar no ombro dele. Ali, entre o cheiro de vinho, o sal do mar e o calor da pele dele, a vida parecia caber inteira.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: 7 anos de casamento, um ultimato: “Filho ou divórcio!”