Entrar Via

7 anos de casamento, um ultimato: “Filho ou divórcio!” romance Capítulo 192

POV Isadora

O som dos pneus no asfalto molhado era quase hipnótico. O sol ainda lutava para romper a névoa fina da manhã, e o carro cortava a estrada que levava até a editora Vertigem, o território de Dante, e o meu também.

Desde que ele deixara a empresa do pai, parecia que o peso do mundo havia saído de seus ombros, mas, ao mesmo tempo, um novo tipo de tensão tomara o lugar.

— Está tudo bem? — perguntou, sem desviar o olhar da estrada.

— Sim — sorri para ele.

Ele me lançou um olhar rápido e carregado.

— Raul vai estar lá, não é?

Suspirei. Então era sobre isso.

— Sim, vai. Temos uma reunião com Beatriz para alinhar o início do manuscrito.

— Hm. — O som grave e contido saiu de sua garganta como um trovão abafado. — Só quero entender como esse cara acabou escrevendo com você.

— Ele é um bom roteirista, Dante. — Falei calma, como se explicasse algo simples. — A editora escolheu ele, não eu.

Ele não respondeu. Apenas apertou o volante, o maxilar rígido.

Lá fora, o prédio moderno da Vertigem apareceu, espelhado e elegante, refletindo o céu nublado. Assim que o carro parou, Dante desligou o motor, respirou fundo e virou-se para mim.

— Eu confio em você, Isa. Só não confio no tipo de homem que acha que pode brincar com o passado.

Sorri de leve.

— E eu confio que o tipo de homem que está ao meu lado hoje sabe que o passado não me define mais.

Ele hesitou, então assentiu. — Vamos?

Descemos. O ar da manhã era fresco, e a sensação de estar ali com ele, de mãos dadas, era quase surreal. Por tanto tempo, aquele lugar tinha sido o meu refúgio e agora voltou ao dele também.

No saguão, o recepcionista os cumprimentou com deferência. “Senhor Harrison.” O sobrenome ainda pesava no ar, mesmo que Dante agora tentasse se afastar de tudo o que ele representava.

Subimos juntos até o quarto andar. E foi ali, ao virar o corredor, que o destino resolveu testar minha serenidade.

Raul estava encostado à parede, rindo de algo que Beatriz dizia. Camisa branca dobrada nos cotovelos, pulseira discreta no pulso, o mesmo charme descuidado que sempre o acompanhara. Quando me viu, o sorriso dele suavizou, e algo nos olhos brilhou por um instante.

Mas o olhar dele desviou logo em seguida para Dante. O ar pareceu mudar.

Beatriz foi a primeira a falar:

— Isadora! — O entusiasmo dela quebrou o gelo. — Que bom que chegaram!

— Oi, Bia. — Forcei um sorriso e troquei um breve abraço com ela.

Raul deu um passo à frente.

— Então esse é o famoso Dante Harrison.

Dante estendeu a mão.

— Famoso não, mas sim, sou eu.

O aperto de mãos entre os dois durou um segundo a mais do que deveria. Aquele tipo de segundo que não é medido no relógio, mas no instinto. O olhar de um avaliando o outro, dois homens que não precisavam dizer nada para entender que havia história ali.

Beatriz tentou disfarçar o desconforto.

— Vamos pra sala, gente? Já deixei o material impresso.

Enquanto andávamos pelo corredor de vidro, senti a tensão ao meu lado. Dante caminhava perto demais, e sua mão tocava a minha vez ou outra, como se me ancorasse, ou como se marcasse presença.

Chegamos à sala de reuniões.

Beatriz se sentou à cabeceira, Raul ao lado dela. Eu me acomodei na outra ponta, e Dante ficou de pé por um instante, observando tudo: o mural com capas de livros, os quadros, o logo da Vertigem iluminado.

— O espaço ficou bonito. Gostei da mudança. — comentou ele, com um meio sorriso. — E parece bem organizado.

Raul respondeu: — Tentamos manter assim. Isa é uma das razões disso, aliás.

Olhei de canto pra ele. Beatriz pigarreou, visivelmente tentando manter o profissionalismo.

— Dante, a gente sabe que hoje é um dia importante pra editora. Estamos felizes por você ter voltado oficialmente ao time, Chefe.

— Obrigado, Beatriz. — Ele assentiu. — Eu quero que a Vertigem continue crescendo, mas com valores diferentes.

Raul arqueou uma sobrancelha.

— Valores diferentes?

Dante olhou diretamente pra ele.

— Transparência, confiança. Coisas que nem todo mundo entende, mas eu valorizo.

Silêncio. Beatriz desviou o olhar para o notebook. Eu respirei fundo.

— Acho que o Dante tem uma reunião agora com o financeiro, não é? — Intervi, tentando mudar o foco.

— Tenho, sim. — Ele se aproximou de mim, inclinou-se e, antes que eu pudesse reagir, depositou um beijo lento, possessivo e visivelmente calculado nos meus lábios.

Raul desviou o olhar. Beatriz ficou imóvel.

Quando ele se afastou, seu sussurro foi só pra mim:

— Boa sorte, amor.

A raiva subiu em ondas.

— Eu não preciso provar nada pra ninguém.

— Então por que parece que está sempre se defendendo? — A voz dele era baixa, cortante.

Antes que eu pudesse responder, a porta se abriu.

Dante estava ali, de volta, mais calmo, mas com aquele olhar que lia tudo.

Raul sorriu, rápido, e disse:

— Estávamos só terminando de revisar o capítulo, Harrison.

Dante assentiu.

— Que bom.

Me olhou.

— Podemos ir, amor?

Peguei minhas coisas, o coração ainda batendo rápido. Enquanto saíamos, Raul disse:

— Foi bom ver vocês juntos.

Dante virou o rosto apenas o suficiente pra responder:

— Foi bom pra quem?

E saiu comigo.

No elevador, o silêncio foi absoluto. Ele só quebrou quando as portas se fecharam.

— Ele ainda sente algo por você. — disse, sem rodeios.

— E eu não sinto nada por ele. — retruquei, firme.

Ele me olhou, e algo dentro dele relaxou. Só um pouco.

— Eu sei. — Murmurou, puxando-me pela cintura. — Mas isso não impede o ciúme.

— Então vai ter que aprender a conviver com ele. — Falei, meio sorrindo.

— Talvez eu prefira aprender a lidar com você.

Beijei-o, rindo contra seus lábios.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: 7 anos de casamento, um ultimato: “Filho ou divórcio!”