POV Isadora
A casa ainda tinha cheiro de novo.
Era como se cada parede respirasse junto com a gente, uma mistura de tinta fresca, madeira polida e o perfume suave de lavanda que eu espalhara pela manhã. O primeiro lar de verdade. Nosso.
Dante e eu acabáramos de voltar da editora, e Sofia dormia no quarto dela, o rosto sereno, o mesmo sorriso que ele jurava ter herdado de mim. Eu estava na cozinha, arrumando a mesa com duas taças de vinho, quando ouvi o som do portão eletrônico se abrindo.
— Está esperando alguém? — perguntei, sem tirar os olhos da toalha que tentava alinhar.
— Não — ele respondeu, com um meio sorriso, vindo por trás de mim e me abraçando pela cintura. — Mas se for cobrança, já pode dizer que o novo endereço não aceita boletos.
Antes que eu pudesse rir, a campainha tocou.
Um toque.
Dois.
E um terceiro mais impaciente.
— Uau, quem quer que seja, tá desesperado — murmurei, indo até a porta.
Quando abri, o mundo se iluminou num só grito:
— SURPRESA!
Olívia praticamente pulou pra dentro, arrastando Caio pela mão.
— MEU DEUS! — gritei, rindo, antes mesmo de entender o que estava acontecendo.
Ela ergueu a mão esquerda no ar e o anel cintilou sob a luz do hall.
— Você está brincando… — murmurei, levando as mãos à boca.
— NOIVOS! — ela anunciou, vibrando.
Dante apareceu atrás de mim, com um sorriso genuíno.
— Finalmente! — exclamou, abraçando o amigo. — Já estava na hora, cara.
Caio riu, orgulhoso.
— Eu demorei, mas fiz direito.
Olívia me puxou pra um abraço apertado, desses que tiram o ar.
— Eu precisava vir contar pessoalmente. E, claro, conhecer a casa nova!
— E matar a saudade da minha afilhada — completou Caio, entrando e olhando em volta. — Que lugar lindo, Isa. Tem cheiro de recomeço.
Eu sorri.
— Tem mesmo.
Minutos depois, estávamos todos na sala, o vinho aberto, risadas enchendo o ambiente. A casa parecia viva, as cortinas dançavam com o vento do mar, o som de Sofia pelo monitor de bebê era como um lembrete doce de que a paz podia, sim, existir depois do caos.
Olívia, sentada no sofá, olhava em volta encantada.
— Isa, sério, isso aqui é um sonho. Essa varanda, a cozinha, o jardim... — Ela girou o copo de vinho entre os dedos. — E pensar que há algumas semanas você achava que tudo ia desabar.
— Ainda acho, às vezes — confessei, rindo sem humor. — Mas agora a queda seria em grama fofa.
Dante riu baixo, sentado ao meu lado, uma das mãos repousando no meu joelho.
— Eu jurei que você ia falar “em mim”.
— Eu estava sendo poética, não dramática.
— A fronteira entre uma coisa e outra é bem fina, amor. — Ele piscou, provocando risadas de todos.
Caio se recostou na poltrona.
— Falando sério, cara, vocês merecem esse novo começo. Eu vi de perto o quanto foi difícil.
Mais tarde, depois de jantarmos, pizza, vinho e risadas, fomos todos para varanda. O mar ao longe refletia o luar, e a brisa trazia aquele cheiro familiar de sal e liberdade.
Sofia acordou, sonolenta, e Olívia a pegou no colo.
— Ela está enorme, Isa. — disse, balançando a bebê suavemente. — E esses olhos… idênticos aos do pai.
Dante se aproximou, orgulhoso, ajeitando uma mecha de cabelo da filha.
— O sorriso é da mãe.
Caio ergueu a taça.
— Às novas casas, novos começos e velhas amizades que não se perdem.
Brindamos, o som do cristal ecoando suave. E, por um momento, o mundo pareceu perfeito.
***
Depois que Olívia e Caio foram embora, com promessas de retornarem em breve, e uma lista de mil ideias para o casamento, o silêncio voltou, confortável.
A casa parecia respirar conosco. Sofia já dormia outra vez, e Dante estava na cozinha, guardando as taças.
— Você percebeu como eles se olham? — murmurei, encostada na bancada. — É bonito.
Ele se virou pra mim, apoiando-se no mármore. — É. Lembra a gente, no início.
— No início? — sorri. — Você quer dizer antes ou depois de todas as confusões?
— Antes, durante e depois. — Ele se aproximou. — Porque mesmo no meio do caos, eu nunca parei de olhar pra você daquele jeito.
O coração apertou. — Que jeito?
Ele passou os dedos pela minha cintura, subindo devagar.
— Como se o mundo inteiro coubesse em você.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: 7 anos de casamento, um ultimato: “Filho ou divórcio!”