Entrar Via

7 anos de casamento, um ultimato: “Filho ou divórcio!” romance Capítulo 188

POV Isadora

O portão de ferro rangeu quando se abriu, revelando a rua calma e o som distante das ondas quebrando. O corretor, um homem de sorriso ensaiado e gestos educados, fez um sinal para entrarmos com o carro.

Dante dirigia devagar, e o olhar dele varreu o terreno, avaliando cada detalhe como se estivesse escolhendo o próprio futuro ali, naquelas paredes simples de tijolos claros e janelas grandes.

Eu, do banco do passageiro, apenas observava.

O sol da manhã se infiltrava pelas árvores, criando manchas douradas no chão. Havia um cheiro de maresia no ar, diferente de tudo que eu estava acostumada. A mansão Harrison era fria, silenciosa, sempre perfumada demais, como se o ar fosse fabricado. Mas ali, o vento era real. Aquele lugar tinha vida.

— Linda — murmurei, mais pra mim do que pra ele.

— Espera até ver o quintal — respondeu Dante, com um sorriso breve, sem tirar os olhos da estrada de cascalho.

O corretor parou à frente da casa e abriu o portão lateral. O rangido ecoou, e de repente o silêncio da rua foi substituído pelo som de passarinhos.

— É uma das últimas casas da rua. — O homem falou, animado. — Privacidade total, vista para o mar e... um jardim que precisa de um toque feminino, talvez.

Dante olhou pra mim, divertido.

— Ouviu, Isa? O jardim precisa de você.

Eu revirei os olhos, mas sorri.

Descemos do carro. O chão frio da calçada contrastava com o calor do sol nas costas. A fachada da casa era simples, mas havia algo nela... aconchegante. As janelas de madeira, o balanço na varanda, o portão branco descascando na base. Nada ali era perfeito e talvez fosse isso que me atraísse.

— Aqui… — o corretor apontou — seria o espaço ideal pra um pequeno parquinho.

Dante olhou para o terreno com aquele brilho raro nos olhos.

— Sofia ia amar.

A maneira como ele disse o nome da nossa filha me fez apertar o peito. Havia ternura, uma paz que eu não via nele há meses. Era como se, por alguns segundos, o peso do sobrenome Harrison tivesse desaparecido.

Entramos.

O interior da casa tinha cheiro de madeira e sal. As paredes brancas refletiam a luz natural, e o chão de tábua rangia levemente. Era pequena, comparada à mansão, mas cada cômodo parecia pulsar uma energia acolhedora.

— Não é grande — comentou o corretor, tentando justificar — mas tem uma alma boa, sabe?

Dante riu de leve.

— Depois de onde viemos, isso é exatamente o que a gente precisa.

Ele me olhou por sobre o ombro, e aquele olhar me pegou de jeito. Um olhar de “aqui é o começo”, mesmo que nada ainda estivesse certo.

Fomos caminhando cômodo por cômodo: sala, cozinha aberta, dois quartos e uma suíte pequena, com uma varanda de frente para o mar. Eu parei ali, olhando o horizonte. O vento bagunçou meu cabelo, e eu fechei os olhos.

Podia me ver vivendo ali. Cozinhando enquanto Sofia brincava no jardim. Dormindo com o som do mar, não com os gritos abafados de uma casa cheia de segredos.

Foi quando o som insistente começou. O celular de Dante, no bolso. Ele ignorou na primeira vez. E na segunda. Mas quando tocou pela terceira, a vibração pareceu ecoar por todo o quarto.

Ele tirou o telefone e olhou a tela, rápido, como quem não queria que eu visse. O maxilar dele travou, e os olhos endureceram.

— Não vai atender? — perguntei, ainda de frente para a janela.

— Não é importante.

Tentei não insistir. Mas o toque voltou, insistente. Ele bufou, apertou o celular com força, e antes que eu pudesse desviar o olhar, a tela se acendeu.

Camila — Harrison Group.

Meu estômago revirou.

— Não estou.

“Você não tá pensando direito. E essa mulher—”

— Cuidado com o que vai dizer, Camila — cortou ele, seco, o olhar agora cravado no chão. — Eu não devo explicações sobre a minha vida pessoal pra ninguém da empresa.

Silêncio do outro lado. Depois, um suspiro audível.

“Você sempre foi teimoso. Mas dessa vez… você vai se arrepender.”

— Eu duvido.

E desligou. O barulho seco do telefone sendo colocado de volta no bolso soou mais alto do que devia.

O corretor, que fingia inspecionar a cozinha para nos dar privacidade, voltou com o sorriso amarelo de quem percebeu a tensão.

— Então... gostaram?

Dante respirou fundo e se virou pra mim.

— Gostou da casa, amor?

Demorei um segundo para responder. Meu peito ainda apertava, o nome “Camila” martelando na minha cabeça. Mas olhei ao redor, o chão de madeira, a varanda, o som do mar. O ar leve, diferente de tudo o que vivemos até agora.

— Gostei. — respondi, simples, e talvez com mais sinceridade do que eu mesma esperava.

Ele assentiu, com aquele meio sorriso cansado.

Virou-se para o corretor.

— Vamos ficar com a casa.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: 7 anos de casamento, um ultimato: “Filho ou divórcio!”