— Policial Dourado, os seus ouvidos estão bem?
José puxou a gravata aborrecido, fogo nos olhos: — É a oitava vez hoje que o senhor me faz essa pergunta e eu também já lhe respondi muitas vezes, tem graça perguntar repetidamente igual um papagaio?
Heh, não pense que não sei como a polícia age, ficam repetindo e repetindo a mesma coisa só para dar pressão psicológica em mim. Mas deixe eu te dizer, nada disso adianta, não fiz nada, não sei de nada.
Completamente o tipo que não liga se o mundo desabar.
Sérgio apertou os olhos expressivos: — Hã, vejo que o diretor José entende de nossas técnicas de interrogatório, como se fosse nosso cliente regular.
José ficou de cara cheia: — Você—!
O advogado logo encostou na mão nervosa do homem e interveio seriamente:
— Policial Dourado, é um procedimento totalmente errado arrastar o diretor José aqui sem prova alguma, ele está apenas cooperando sobre o caso de sequestro da Sra. Domingos. Vocês não podem interrogá-lo como suspeito. Temos direito de ficar calados e podemos acusá-lo de chantagem e abuso de poder!
Tendo um advogado importante nas costas, José logo retomou sua postura e retornou a agir de modo arrogante.
A caneta nos dedos hábeis de Sérgio rodou descontroladamente enquanto ele trocou olhares intensos com o homem: — Diretor José, pelo que sabemos, o senhor havia dado as passagens dos concertos diários. Por que sequestrariam ela justo à noite depois do concerto, se poderia ser qualquer outro momento do dia?

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