Camila percebeu a gravidade do problema. Esquecendo da dor do tapa no rosto, ela agarrou o braço de Yuri como se fosse a única salvação:
— Pai... O senhor precisa dar um jeito no Jay! Ele agora está do lado da Vânia e entregou as provas do Marcos para ela. Aquele homem pode ter provas minhas também. A única razão de ele não ter revelado o que há entre mim e Marcos é que estava nas mãos do Otávio! Mas agora o Otávio foi preso, e não há ninguém controlando Jay. Se ele escapar ou for solto... Minha reputação será destruída e o José nunca mais vai me querer! E o senhor perderá um genro rico no setor da tecnologia!
— Eu sei, não precisa me lembrar!
Yuri tirou a mão dela de seu braço, virou-se e caminhou até a porta do quarto do hospital. — Fique aqui se recuperando e não cause mais problemas. Eu cuido disso!
— Sim, pai. — Camila abaixou a cabeça, parecendo lamentável, mas um sorriso sombrio brotou nos cantos de sua boca.
Aquele tapa valeu a pena.
Não importa o quanto Yuri batesse, xingasse ou sentisse rancor dela, no fim, ele ainda precisaria arrumar a confusão.
O sangue sempre os uniria.
Dona Lacerda olhou atônita para as costas do marido saindo e para a filha sorrindo de leve. Um calafrio correu por todo o seu corpo.
Afinal, era uma vida, eles simplesmente disseram que o matariam assim?!
Yuri Lacerda abriu a porta da escada de emergência e entrou na escadaria escura.
Ao garantir que não havia ninguém, ele pegou o celular, respirou fundo e discou um número.
Alguém atendeu e uma voz clara e refinada respondeu do outro lado:

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