Só pela família Dourado, ele tinha que ser mais gentil com aquele garoto com cara de estátua de gelo.
— Eu tinha uns casos para organizar.
O olhar frio de Vagner encarou diretamente Ricardo, e ele foi direto ao assunto: — Chefe Ricardo, eu ouvi dizer que a pasta do incêndio no Departamento de P&D do Grupo Domingos de três anos atrás está aqui. Posso dar uma olhada?
O sorriso de Ricardo endureceu e ele perdeu a pose: — E você quer olhar isso para quê?
Vagner deu um meio sorriso: — Nada de mais. Só queria ver. E estou muito curioso para saber que caso é esse tão importante que merece que o chefe Ricardo guarde pessoalmente.
O cara, tanto nas ações quanto ao falar, era direto. Então a popularidade dele não era tão boa, nem era querido pelos superiores.
Mas Vagner possuía o capital próprio para não ter que ir na onda de ninguém.
Não era apenas porque não tinha interesse em comandar o governo, mas também porque estava com a família Dourado pelas costas.
Não faltava fama ou dinheiro a ele e não se interessava por influência. Seu foco total estava em ser um promotor justo.
Mas a coisa de que Ricardo mais sentia raiva era aqueles caras metidos a éticos, que não entravam no esquema.
— Ah, não estou segurando essa de propósito, só gosto de guardar todos os casos em que trabalho há anos para ver de vez em quando. É só um costume.
— Então me faça o favor de trazer e me dar uma olhada. Quando terminar eu devolvo.
Ricardo apertou os dentes. Sem escolha, abaixou-se de cara feia, abriu o cofre embaixo da mesa e procurou a pasta de Vânia no meio de tantas outras. E a bateu na mesa:
— Pega, e me devolva quando terminar.

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