— Tudo bem... Bom trabalho, então. Eu te espero.
Vânia Viana ignorou completamente as duas pessoas ofegantes na sua frente, recuou devagar e teve a delicadeza de fechar a porta.
— José... você me machucou agora há pouco.
Camila Lacerda avançou para abraçar o homem novamente, mas José Domingos se levantou de supetão. Ela caiu no vazio, patética.
— Camila, não faça mais isso.
José Domingos ajustou a gravata metodicamente. Sua voz ainda carregava a rouquidão de quem tinha acabado de se aliviar:
— A Vânia já voltou. Não é apropriado que você continue entrando e saindo da minha casa desse jeito. Muito menos do meu escritório.
— Como assim, não é apropriado? Não foi exatamente assim durante esses três anos inteiros?
— Se eu disse que não, é não.
José Domingos franziu as sobrancelhas, irritado. — Já te disse mais de uma vez. O que tínhamos era apenas um consolo mútuo. Agora que a Vânia saiu da prisão, eu preciso voltar para a minha família. O que aconteceu entre nós acaba aqui.
Os olhos de Camila Lacerda ficaram vermelhos. — José, você...
José Domingos soltou um suspiro pesado e massageou as têmporas. — Eu já sinto uma culpa enorme em relação à Vânia. Ela passou três anos na prisão pela família Domingos. Agora ela perdeu a filha e ficou cega.
— Tanto pela razão quanto pela emoção, eu devo tratá-la bem. Não posso mais decepcioná-la.
O homem virou as costas, recusando-se a olhar para o corpo nu dela, como se fosse o exemplo máximo de decência e moralidade:
— Vista suas roupas e vá embora logo. Se você realmente considera a Vânia sua melhor amiga, saia pelos fundos. Não deixe que ela saiba que você esteve aqui.
Camila Lacerda, a orgulhosa filha do prefeito, foi escorraçada daquele jeito por José Domingos. Como se fosse uma boneca inflável, descartada logo após o uso.
Ela mordeu o interior da bochecha de tanta raiva e bateu o pé, possessa.

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