Dona Marina se afastou às pressas.
Vânia Viana piscou os cílios trêmulos, com o olhar completamente perdido em direção à rua vazia.
De repente, uma lufada de vento frio soprou pelos seus ouvidos, balançando os fios de cabelo soltos ao redor de seu rosto.
— Mamãe!
— Nádia...
Em seu delírio, Vânia ouviu o chamado de sua filha. Com o coração em choque, ela andou cegamente e de forma inconsequente em direção ao outro lado da rua.
Naquele exato momento, o sinal de pedestres estava vermelho.
Um Maybach preto de luxo aguardava logo atrás da faixa de retenção.
O secretário que estava dirigindo arregalou os olhos ao notar a mulher se aproximando à frente. Esfregou os olhos em pânico e empalideceu brutalmente:
— Diretor Freitas! É ela! Mas ela não havia sido condenada a quatro anos? Como foi solta tão rápido?!
O homem no banco de trás ergueu os olhos estreitos e profundos como tinta. O olhar mortal e ameaçador atravessou o para-brisa, cravando-se com violência no rosto pálido e acabado de Vânia Viana.
As veias saltaram nas costas de sua mão, acumulando uma fúria selvagem.
Três anos se passaram, e aquela mulher de pecados imperdoáveis continuava com a pele alva e um rosto deslumbrante. Ela não havia mudado em absolutamente nada.
Enquanto isso, a sua doce e alegre irmãzinha dormia no fundo da terra fria, transformada em cinzas e ossos.
Por que as coisas deveriam ser assim?
— Atropele-a. — O homem ordenou, com uma crueldade gélida nos olhos.
O secretário deu um salto de susto. — O que o senhor disse?
— Acelere e atropele. Mate-a.
O secretário começou a suar frio. — D-Diretor Freitas, pelo amor de Deus, hoje em dia as leis são rigorosas...
A voz grave e magnética do homem soou completamente dormente e sem nenhum sinal de humanidade:
— Então deixe-a aleijada. Poupe apenas essa vidinha barata dela.
O secretário cerrou os dentes de forma tensa e pisou fundo no acelerador.
O carro luxuoso disparou a toda velocidade em direção a Vânia Viana.
Screeeech!
O som agudo de pneus rasgando o asfalto ecoou, e o carro freou bruscamente, parando a meros centímetros de Vânia.
— Ah... — Vânia Viana tropeçou assustada e caiu desajeitada no chão. Uma dor aguda e insuportável irradiou do seu joelho.
— Moça? Moça?
Ao ouvir a voz, Vânia ergueu lentamente a cabeça.
O homem abaixou a janela do carro pela metade, com o corpo grande e imponente encostado na porta, lançando-lhe um olhar de total cinismo.
A imagem que se refletiu em seus olhos era a de uma mulher com um olhar de cervo assustado, molhado e em pânico. O rosto pequeno e fino não usava nenhuma maquiagem, mas era chocantemente lindo.


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