— Ei, ei! Sra. Vânia!
Winston, o mordomo, bloqueou seu caminho, nervoso. — O patrão está ocupado no escritório. Ouvi dizer que tem uma videoconferência importante.
— Que tal... a senhora voltar para o quarto e esperar um pouco? Quando ele terminar, a senhora vai até lá?
Dona Marina, percebendo imediatamente o que estava acontecendo, apressou-se em concordar: — É verdade, Sra. Vânia. A senhora passou a manhã inteira de pé, deve estar exausta. Volte para o quarto e descanse um pouco antes de ver o patrão.
— Tudo bem. Então não vou atrapalhar o trabalho dele.
Vânia Viana abriu um sorriso gentil e, tateando o caminho, deu meia-volta e saiu.
Dona Marina bateu o pé, indignada. — Essa Camila Lacerda... antes ela vinha cedo, vinha tarde, vinha quase todo dia! Quase se achava a dona da família Domingos! Agora que a esposa legítima voltou, como ela ousa continuar com essa falta de vergonha? É muita cara de pau!
Winston suspirou, impotente. — O patrão gosta, a senhora mãe dele permite. O que nós, meros empregados, podemos fazer?
— Mas eu fico com tanta pena da Sra. Vânia. E tenho medo de que ela sofra um golpe terrível se descobrir...
— A sorte é que a Sra. Vânia não pode ver. O caso do Sr. José com a Camila Lacerda... vamos esconder isso dela o máximo que pudermos!
Vânia Viana começou caminhando devagar, tateando a parede. Mas assim que percebeu que não havia ninguém por perto, seu olhar se tornou gélido. Seus passos ficaram firmes e rápidos. Ela foi direto para o escritório de José Domingos.
Primeiro, ela encostou o ouvido na porta. Silêncio. Ela respirou fundo, empurrou a porta de mansinho e entrou sem fazer o menor ruído.
Pela fresta da porta da sala íntima do escritório, vazavam os gemidos manhosos de Camila Lacerda.
Misturados à respiração pesada e ofegante de José Domingos.
— Quem é mais bonita... eu ou a sua esposa?
— Você é linda. Ninguém é mais bonita que a minha Camila. — José Domingos estava no auge da excitação. Com o desejo dominando a razão, ele disparava obscenidades.
Naquele momento, Camila Lacerda poderia até pedir a senha da conta dele na Suíça que ele daria, quanto mais responder a uma pergunta fútil daquelas.

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