Que utilidade tinha aquela encenação de desligar a primeira chamada?
Ele não achava que era um teatro desnecessário?
De qualquer modo, no final ele iria acabar atendendo mesmo.
Quando a segunda chamada completou, Roberta finalmente suspirou aliviada.
Ela fingiu que não sabia de nada e apenas perguntou com carinho se ele já havia almoçado.
Filipe disse que sim.
Roberta fez uma pausa e perguntou: — Comeu na empresa?
Numa rara ocasião, Filipe mentiu: — Sim, hoje o dia está um pouco corrido.
Ao ouvir isso, o coração de Roberta afundou de imediato.
Mesmo sabendo que ele estava mentindo para ela, a única coisa que podia fazer era seguir o fluxo e dizer: — Então continue trabalhando, não vou te atrapalhar.
— Tá bom. — Filipe deu umas duas respostas simples para se livrar dela e desligou.
Essa foi a primeira vez que ele mesmo encerrou a ligação.
Embora Filipe tivesse retornado rápido para o quarto do hospital, Helena nem sequer olhou para ele.
Filipe ficou sentado no quarto por mais de meia hora, até ser chamado por uma ligação de trabalho.
Antes de ir, ele falou com Helena.
Embora Helena continuasse sem sequer olhar para o rosto dele.
— Vou resolver umas coisas de trabalho.
Ele fez questão de enfatizar que era trabalho, parecendo ter medo de que ela entendesse errado.
Depois acrescentou: — Devo demorar meia hora ida e volta. Você quer comer alguma coisa? Quer que eu traga para você?
Helena disse de propósito: — Então me traga alguns dos quitutes que eu costumo gostar.
Filipe ia perguntar quais eram os quitutes que ela gostava.
Mas ouviu Helena rir com sarcasmo: — Só que você provavelmente não sabe quais são os doces que eu gosto. Então não precisa criar problemas para si mesmo. Quando eu estiver com fome, eu mesma compro algo. Se você tem todo esse tempo, vá cuidar da sua amantezinha, afinal, ela nunca consegue se sustentar com as próprias pernas.

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