Quando Edivaldo Serra desceu do carro, ele segurava um xale.
Ele foi direto até Helena Castro e entregou a ela o xale que ainda guardava o calor do interior do carro.
— A temperatura caiu, cuidado para não pegar um resfriado.
Helena estava prestes a pegar.
Filipe Cruz puxou Helena de repente e disse a Edivaldo em um tom nada amigável: — Ela tem marido, não precisa se preocupar se ela está com frio ou não.
Edivaldo não recuou diante da atitude de Filipe de marcar território.
Ele virou levemente a cabeça, e seu olhar passou por cima dos ombros tensos de Filipe, pousando perfeitamente em Helena.
Aqueles olhos encantadores que sempre carregavam um traço de indiferença, agora estavam tão profundos que chegavam a assustar.
Ele nunca teve muitos escrúpulos.
Se a outra pessoa não fosse Helena, mesmo que alguém tentasse marcar território, ele não daria a mínima.
Mas ele precisava pensar na dignidade de Helena, então se preparou para recolher o xale.
No entanto, assim que sua mão se moveu, no segundo seguinte, Helena esticou a mão e puxou o xale dele.
Ela o colocou sobre os ombros bem na frente de Filipe e disse no mesmo tom irritado para ele: — Você não está com frio, mas eu estou! Eu preciso disso!
Filipe ficou com uma expressão péssima na mesma hora.
Helena não estava nem aí se ele estava de cara amarrada ou não. Ela simplesmente soltou a mão dele e deu um sorriso radiante para Edivaldo: — Obrigada por vir me buscar, estou quase morrendo de frio. Vamos embora logo, senão vou acabar congelando no lugar.
Edivaldo sorriu de repente: — Certo.
Helena entrou no carro de Edivaldo assim, bem na frente de Filipe.
Muito tempo depois de o carro ter partido, a expressão sombria no rosto de Filipe não havia desaparecido.
Ele tinha pensado em impedi-la.
Mas sua cabeça estava cheia da expressão de deboche que Helena havia feito para ele e das coisas que ela tinha dito.
Ela disse:
[Você é muito estranho. Eu só estou tratando você do mesmo jeito que você me trata, e ainda assim você ficou bravo.]
Como ele a tratava antes?
Quando ela sofreu um aborto espontâneo acidental, ele a culpou por causa de Roberta Lobato.
O papel que ela levou meio ano para conseguir, bastou Roberta dizer que queria, e ele o arrancou das mãos dela.


Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sete Anos de Espera, Um Adeus Sem Volta