No entanto, ele podia ignorar o pedido de divórcio dela por quatro meses.
Como já estava acostumada, suas emoções não oscilaram nem um pouco.
Muito menos sentiu decepção.
No passado, ela ainda ficava deprimida pensando como seria bom se ele atendesse suas ligações tão rápido assim.
Nem que fosse uma única vez.
Eles talvez não tivessem chegado a este ponto.
Agora?
Quem se importa!
Apenas quando entrou no carro, Filipe soltou um longo suspiro de alívio.
A ligação de Roberta Lobato tinha vindo em boa hora, por isso ele atendeu mais rápido do que qualquer outra vez.
Ele tinha medo de que, se demorasse um segundo a mais, Helena iria forçá-lo a aceitar o divórcio.
O motorista perguntou se iam para a empresa ou para o hospital.
Filipe disse: — Vá para o hospital primeiro.
Ele tinha agendado a consulta com o especialista para examinar os olhos de Roberta, mas isso era para a tarde.
O carro trafegava pelas ruas, mas a cabeça de Filipe estava cheia do olhar calmo e quase frio que Helena acabara de lançar.
De ontem à noite a hoje de manhã, não havia tido calor algum na forma como ela o olhava.
Mas ele começou a sentir falta daquela Helena do passado, cujos olhos e coração estavam sempre cheios de sua imagem.
Essa constatação fez surgir um forte sentimento de inquietação dentro dele.
Apertou as mãos involuntariamente.
Após um momento, ele perguntou ao motorista: — Lembro que você dirigia para a minha esposa antes?
O motorista disse que sim.
Tinha sido a velha senhora quem o havia designado.
— O que ela costumava fazer quando não estava trabalhando?
— A senhora quase não saía, passava a maior parte do tempo em casa, cozinhando, plantando flores, assistindo a séries, essas coisas.
Não era como as outras senhoras da alta sociedade que ele costumava conhecer.
Filipe conhecia essas informações.


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