Liliana, muito observadora, levantou a divisória entre o banco do motorista e o de trás no momento certo, dando espaço e privacidade aos dois.
O espaço privado e absoluto fez Samuel se tornar ainda mais solto.
Mas Rebeca ainda estava muito tensa, seus nervos originalmente contraídos iam sendo, centímetro por centímetro, explorados e aprofundados por ele.
O cheiro forte e masculino a envolveu completamente.
Por fim, Rebeca, sem perceber, mergulhou de vez naquele momento e acabou derretendo nos braços dele.
Ela estava amolecida.
Ele estava quente.
Os dois estavam ofegantes.
Mesmo com a mente turva de paixão, Samuel soube medir as consequências, controlando-se para não ir além.
Era tão raro que ela abrandasse sua atitude, que não o empurrasse e que estivesse disposta a aceitá-lo.
Mesmo que fosse só um pouco, ele já estava satisfeito de coração.
Mesmo que quisesse tê-la até quase enlouquecer, teria de aguentar firme.
Samuel a puxou para seu abraço, com os ouvidos encostados no peito ardente dele, o som de seus batimentos cardíacos foi amplificado.
Tum, tum.
Seu coração batia muito rápido.
Aos poucos, misturou-se com as batidas do coração dela.
Ela não se atreveu a se mover, apenas ficou quietinha, aninhada em seus braços.
Pois ela sentiu claramente a reação do corpo dele e sabia que ele estava se segurando com muito esforço.
Enquanto o clima de romance estava no auge, o carro que andava de forma tão suave deu uma freada brusca, de repente.
Ainda bem que Samuel a abraçava forte, impedindo-a de se machucar.
O braço dele, no entanto, bateu violentamente contra a divisória, emitindo um som abafado.
A primeira reação dele depois de segurá-los foi perguntar com ansiedade se ela tinha se machucado.
Rebeca balançou a cabeça dizendo que não.
No banco da frente, Liliana se explicou, um pouco nervosa: — Desculpe, Diretor Batista, de repente apareceu um gato na frente do carro...
Era um filhotinho de gato, laranja e branco, que parecia ter pouco mais de um mês, provavelmente se perdeu da mãe, por isso corria perdido pela estrada.
Quando Rebeca saiu do carro para verificar, ele estava miando enquanto se esfregava nas pernas dela, provocando uma enorme pena.
Um gatinho tão pequeno, se tivesse se perdido da mãe, sua chance de sobreviver era praticamente zero.
Liliana, que estava ao lado, perdeu totalmente a postura, surpresa com o que acabara de ouvir.
Aquele ainda era o chefe caladão, sério e severo que ela conhecia?
Quando Helena ligou, Rebeca estava a caminho de casa.
No carro de Samuel, como sempre.
Ele fez questão de acompanhá-la até sua casa.
O problema é que o filhote de gato entre os dois parecia agir como o terceiro na relação.
Rebeca estava com toda a sua atenção voltada ao gatinho.
O filhotinho estava apavorado em um ambiente estranho para ele, miando e arranhando a caixa de transporte.
Rebeca, que não tinha coração de pedra, tirou o gatinho de sua caixa e segurou-o em seus braços durante todo o percurso.
O filhotinho parecia confiar nela de forma cega, aninhado e sossegado nos braços dela, apenas soltando miados ocasionais.
Rebeca respondia de maneira gentil, acalmando o gatinho.
Assistindo a essa cena, Samuel não pôde evitar e soltou uma risada.
Sendo notado pelo canto dos olhos por Rebeca, ela lançou-lhe um olhar confuso.

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