O trajeto inteiro foi feito em absoluto silêncio.
O clima estava pesado de uma forma quase palpável.
Até que chegaram ao hotel. Helena soltou um "obrigada" apressado e fez menção de abrir a porta.
Foi quando o som das travas de segurança clicou, trancando tudo.
A mão de Helena congelou na maçaneta. Ela se virou para ele, sem entender.
Com a maior casualidade do mundo, Edivaldo perguntou:
— E como está o processo do divórcio?
Só de ouvir o assunto, Helena sentia dor de cabeça.
Filipe Cruz estava infernizando o trabalho de Isaque Farias, dificultando tudo o que podia. Aquela velha máxima era real:
Se o homem não quiser assinar, é um inferno conseguir se divorciar rápido.
Ela já estava se preparando psicologicamente para uma guerra judicial de dois anos.
O que ela não esperava era que Edivaldo perguntasse isso do nada.
— Não está indo nada bem. — ela respondeu, bufando de irritação.
A mão de Edivaldo apertou o volante devagar. Em seus olhos castanhos, as emoções eram turbulentas.
Mas estava escuro demais dentro do carro, e Helena não reparou.
Ela soltou um bocejo e completou:
— Já tá tarde. É melhor você ir descansar também. Tchau.
Ele fez uma pausa antes de responder.
— Boa noite.
Ele disse boa noite.
Não disse "tchau" ou "adeus".
Mas Helena não prestou atenção nesses detalhes. Assim que a porta destravou, ela saiu do carro, acenou de longe e foi embora.
Não hesitou nem por meio segundo.
Ao chegar no quarto e tomar um banho, o sono já tinha sumido quase todo.
A pergunta de Edivaldo havia desenterrado todo o seu estresse.
De madrugada, ela começou a mandar mensagens para Isaque Farias, querendo saber de qualquer avanço.
Mas como era tarde demais, o advogado já devia estar dormindo e não respondeu.
Helena ficou rolando na cama e só conseguiu pregar o olho quando o dia já estava clareando.
Mas logo o toque insistente do celular a acordou. Era Isaque.
Ela não era de ter mau humor matinal, mas passar a noite em claro e ser acordada logo após conseguir dormir deixava qualquer um irritado.
E para piorar as coisas, descobriu que Filipe Cruz continuava se recusando a cooperar com o advogado.
Isaque explicou a situação:
— O recado que o Filipe Cruz mandou foi: se quiser negociar, tem que ser com você, pessoalmente. Senão, não tem acordo. Ficou claro que ele quer arrastar isso pelos dois anos completos.
Helena olhou para o relógio.
— Que tipo de reunião começa às sete e meia da manhã?
Rebeca ficou sem palavras.
— ...
Tinha esquecido de conferir o horário.
Ela preferiu não tentar se explicar. Mudou de assunto rapidamente:
— E você, por que está me ligando tão cedo? Não conseguiu dormir?
— Nossa, você é vidente!
— Esse é o horário em que você costuma estar no décimo sono.
Helena começou a resmungar:
— A culpa é daquele cachorro do Filipe Cruz, que me tirou do sério...
E desatou a reclamar de tudo o que estava acontecendo.
No final, ainda fez questão de dar um conselho sério para a amiga:
— Escuta o que eu tô te dizendo, amiga: homem é tudo igual a cachorro. Quando a gente corre atrás e trata bem, não dão valor. Quando a gente solta a coleira e vai embora, eles ficam loucos e perdem o juízo, agindo feito irracionais. No fundo, é puro ego ferido. Não vá cair na lábia e se desestabilizar por causa disso, hein.
Do outro lado da linha, Rebeca, que já estava completamente desestabilizada por causa de um homem, ficou calada.
— ...

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