Mas ele continuou esperando.
Só queria esperar.
Antes que o carro de Rebeca Ribeiro passasse, ele havia tido uma crise violenta de tosse.
Recém-recuperado de uma doença grave, sua imunidade estava baixíssima.
Quando a luz dos faróis cortou a noite, o mundo escuro diante de seus olhos finalmente se iluminou.
E também acendeu uma luz em seu coração.
Ele acompanhou o carro com o olhar.
Viu o veículo passar.
Viu o veículo parar.
E, por fim, viu aquela figura que lhe trazia paz.
Rebeca Ribeiro não esperava que Samuel Batista estivesse esperando por ela ali.
Muito menos que estivesse num estado tão deplorável.
Ele parecia ter tomado um banho de tempestade; até seu cabelo estava uma bagunça.
Nos punhos de sua jaqueta cinza clara, manchas vermelhas e irregulares chamavam a atenção mesmo na escuridão da noite.
Como marcas de sangue seco.
Quando Rebeca Ribeiro bateu o olho naquele vermelho, seu coração apertou, e ela não conseguiu evitar a pergunta:
— Você se machucou?
Samuel Batista queria dizer que sim, queria que ela sentisse pena, que cuidasse dele.
Mas, quando as palavras chegaram à ponta da língua, transformaram-se na verdade.
— Não. — Sua voz soou tão rouca que parecia ter sido esmagada por cascalho. — É sangue de outra pessoa.
O aperto no peito de Rebeca Ribeiro aliviou aos poucos.
— Já é tarde. Volte cedo e vá descansar. Vou pedir ao motorista para te levar.
Ela estava prestes a se virar para chamar o motorista.
Samuel Batista ergueu a mão e segurou a manga dela.
Rebeca Ribeiro parou e olhou para baixo.
Ele estava com a cabeça erguida, os olhos transbordando uma dor profunda.
— Doeu muito, não é?
— O quê? — Rebeca Ribeiro franziu a testa, confusa.
— Quando você perdeu o bebê... doeu muito, não é?
Ele havia testemunhado com os próprios olhos aquela cena de quase morte, sentido o terror de ver o calor do corpo se esvaindo aos poucos...
Talvez fosse sua única chance na vida de ser mãe.
E ela a perdeu, perdeu para sempre.
Rebeca Ribeiro tentou puxar a mão de volta, a razão forçando-a a manter a calma.
— Isso já passou.
— Para mim, não passou.
Essa história nunca seria esquecida por ele.
Samuel Batista escorregou e seus joelhos bateram com força no chão molhado pela chuva.
Ajoelhou-se diante da mulher que mais amava, confessando seus crimes, implorando por perdão.
— A culpa foi minha. Fui arrogante, me achei o esperto, pensei que você não me amava e te tratei com frieza de propósito. Me perdoa.
— Se eu soubesse antes que você me tinha no coração, eu jamais teria te machucado daquele jeito.
— Me desculpe. De verdade.
Ele encostou a testa nas costas da mão macia e quente de Rebeca Ribeiro, o tom de voz carregado de súplica.
— Rebeca Ribeiro, você poderia... me amar de novo, só mais uma vez?
— Deixa eu usar o resto da minha vida para compensar todo o mal que te causei?

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