— Não. Tenho medo de que aquele cachorro te morda.
Ela era uma pessoa que guardava muito rancor.
Bastou olhar para Samuel Batista que, por reflexo condicionado, lembrou-se do estado miserável em que Rebeca Ribeiro ficara após o término.
Por isso, ela precisava proteger Rebeca Ribeiro.
Sem conseguir convencê-la do contrário, Rebeca Ribeiro teve que ceder.
Embora Samuel Batista fosse o machucado da história, ele foi rebaixado ao banco do carona.
Ele até mediu com as mãos a distância entre os dois, reclamando depois que o carro era muito pequeno e que eles estavam próximos demais.
Rebeca Ribeiro não tinha paciência para lidar com as frescuras dele.
Por sorte, o hospital não era longe. O plano original de Rebeca Ribeiro era largá-lo lá e ir embora.
Afinal, um homem daquele tamanho deveria ser capaz de cuidar de si mesmo.
Mas, ao ver a mandíbula dele vermelha e inchada, seu coração cedeu um pouco.
No fim, ela mesma o acompanhou até o pronto-socorro para tratar os ferimentos.
Quando o médico perguntou sobre restrições e alergias, Rebeca Ribeiro listou algumas instintivamente.
Por exemplo, que ele era alérgico a álcool e os ferimentos só podiam ser limpos com soro fisiológico ou iodo.
O médico assentiu com a cabeça e disse a Samuel Batista:
— Rapaz, você deve valorizar muito a sua namorada.
Rebeca Ribeiro estava prestes a abrir a boca para explicar que eles não tinham esse tipo de relacionamento.
Mas Samuel Batista confirmou primeiro.
E confirmou com absoluta convicção.
Rebeca Ribeiro franziu a testa e saiu do consultório antes mesmo que o médico terminasse os curativos dele.
Não demorou muito para Rui Passos chegar.
Rebeca Ribeiro tinha mandado uma mensagem com a localização para ele, pedindo que viesse recolher Samuel Batista.
Ele chegou muito rápido. Parecia ter vindo correndo, pois estava ofegante.
— Onde está o Samuel?
— Lá dentro. O médico está limpando os machucados dele. — O tom de Rebeca Ribeiro era indiferente, como se falasse de um desconhecido qualquer.
Rui Passos soltou um "ah" e fez menção de entrar.
Mas Rebeca Ribeiro o chamou de volta e perguntou:
— Com quem ele brigou?
Rui Passos coçou a cabeça, desconfortável.
— Com o Erick.
— Erick Paz?
— É.
Mas Samuel Batista franziu a testa e cortou na frente:
— O que você está fazendo aqui?
Os olhos de Rui Passos se arregalararam.
— Vim cuidar de você, óbvio!
Se não fosse por isso, acha que ele deixaria de dormir a essa hora da madrugada para vir cheirar antisséptico em hospital?
As sobrancelhas de Samuel Batista se juntaram ainda mais.
— Foi a Rebeca Ribeiro que mandou você vir?
— Foi! Assim que vi a mensagem, vim correndo o mais rápido que pude. E aí? Sou ou não sou um amigão? — Rui Passos ainda fez uma pose de quem esperava receber um prêmio.
Mas o rosto de Samuel Batista congelou bruscamente. Ele soltou num tom gélido e mal-humorado:
— Pelo visto, você tem muito tempo livre.
Rui Passos ficou com uma enorme interrogação na cara.
Livre?
Ele estava morrendo de tanto trabalhar, isso sim!
De um lado, tinha que se preocupar com a saúde mental de Samuel Batista. Do outro, tinha que gerenciar todos os problemas da empresa.
Enquanto isso, Samuel Batista, o grande CEO, lavava as mãos para o trabalho e só sabia cruzar o mundo correndo atrás de Rebeca Ribeiro.
Ele é que era o verdadeiro sofredor dessa história!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sete Anos de Espera, Um Adeus Sem Volta