— O quê?! Você tá me dizendo que passou a noite inteira se agarrando com o Samuel Batista no carro?!
Do outro lado da linha, Helena Castro simplesmente explodiu.
O grito foi tão agudo que, mesmo pelo telefone, quase estourou os tímpanos de Rebeca.
Por instinto, ela afastou o celular do ouvido e esperou a sessão de gritos de Helena terminar antes de resmungar:
— Você devia ter feito aula de canto lírico quando era criança.
— Não muda de assunto! — retrucou Helena. — Trata de me contar a verdade, agora! Como é que você foi parar na cama com aquele cachorro de novo?
— A gente não transou...
— Ah, dar uns amassos pesados no carro não conta, né?
— ...A gente não chegou aos finalmentes.
Helena ficou em silêncio por um segundo, e logo em seguida soltou uma gargalhada histérica ainda mais alta.
— Eu sabia! Eu sabia que o Samuel não dava no couro! Hahaha! Ele é impotente!
Rebeca massageou as têmporas. De repente, bateu um forte arrependimento de ter contado isso para Helena.
Embora estivesse bêbada na noite passada, ela não tinha perdido a sensibilidade do corpo.
É claro que ela sabia muito bem que Samuel dava no couro, e como dava...
Mas, vendo que Helena havia mudado o foco e não faria mais perguntas constrangedoras sobre os detalhes da noite passada, Rebeca preferiu ficar calada.
Depois de rir até não aguentar mais, Helena tentou consolá-la:
— Ah, desencana. Você só cometeu um erro que qualquer mulher no mundo cometeria. Totalmente compreensível.
— O problema é que faz muito tempo que você não pega ninguém. Transa com mais uns três que você se acostuma.
Rebeca revirou os olhos.
Ter uma melhor amiga como aquela era realmente uma benção.
— E você? Como estão as coisas? — Rebeca perguntou.
A voz de Helena soou entediada.
— Na mesma. Só esperando o prazo obrigatório acabar para assinar o divórcio no cartório.
— E o Filipe Cruz? Ele está quieto? — Essa era a maior preocupação de Rebeca.
— Ele tem estado muito ocupado levantando a carreirinha da amantezinha dele. Nem tem tempo pra me perturbar.
Às vezes, Helena realmente admirava a cara de pau de Roberta Lobato.
Quando o escândalo vazou, Roberta foi chorar as pitangas para os jornalistas, jurando de pés juntos que o vídeo era uma montagem de Inteligência Artificial feita para destruí-la. Ainda teve a audácia de ir à delegacia fazer um boletim de ocorrência.
Usou as poucas habilidades de atuação que tinha em toda a sua vida para esse momento.
Com a certidão de divórcio em mãos, ela e Filipe finalmente viveriam em mundos separados: ela no mundo dos humanos, e ele no dos cachorros!
Ao ouvir que Filipe estava usando seus recursos para impulsionar os negócios de Roberta, Rebeca abriu o WhatsApp e mandou uma mensagem para Edivaldo Serra, perguntando se ele estava a par da situação.
Edivaldo respondeu que sim.
— Dificulta um pouco as coisas para ela. — digitou Rebeca sem enrolação.
— Precisa nem pedir. Já roubei dois projetos importantes dela. — respondeu Edivaldo.
— Você é o melhor de todos. — Rebeca enviou uma figurinha de alívio.
Demorou um tempo até Edivaldo mandar outra mensagem.
— E a Helena... como ela está?
Rebeca achou a pergunta estranha.
— Vocês dois não têm o WhatsApp um do outro? Se quer saber dela, por que não pergunta direto?
— Foi só uma pergunta casual. — respondeu ele.
Rebeca acreditou que fosse apenas curiosidade e não deu importância.
Assim que desligou a ligação com Helena, Cassio Almeida chegou.
Os dois já haviam combinado de almoçar juntos no dia anterior. Rebeca pegou sua bolsa e desceu com ele.

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