Ele queria preservar a reputação impecável dela para poder se casar com ela no futuro.
Que esforço comovente!
— O Filipe me respeita muito. — Disse Roberta Lobato, forçando uma falsa calma após desviar o olhar por alguns segundos.
Helena Castro soltou um riso desdenhoso.
O sorriso zombeteiro congelou em seu rosto ao notar o amuleto da sorte pendurado no pescoço de Roberta Lobato.
Ela se levantou abruptamente e arrancou o amuleto do pescoço da outra mulher para examiná-lo.
— De onde você tirou isso? — Exigiu Helena Castro com uma expressão gélida, confirmando que era o mesmo amuleto que ela própria havia buscado no templo.
— Devolva isso para mim! Foi o Filipe quem me deu! Devolva-me! — Gritou Roberta Lobato, enfurecida com o roubo repentino, enquanto lutava para se levantar e recuperar o objeto.
Helena Castro era consideravelmente mais alta.
Ela apenas levantou a mão, impedindo que Roberta Lobato alcançasse o amuleto.
Ela encarou Roberta Lobato de cima, com uma expressão glacial.
Uma tempestade repentina começou a se formar no fundo do seu coração.
Era uma sensação indescritível, acompanhada de um frio súbito.
Um frio profundo e cortante.
Até mesmo as costas das suas mãos expostas ao ar começaram a congelar.
— Aquilo foi um presente do Filipe para mim! Por que você está roubando as minhas coisas? — Berrou Roberta Lobato, lançando-se contra ela. — Quando éramos crianças, você roubou o amor dos meus pais. E agora você vem roubar as minhas coisas de novo! Devolva-me!
Helena Castro recuou dois passos.
Roberta Lobato fez essa acusação em voz alta, como se tivesse sido provocada.
Helena Castro a considerou absolutamente ridícula.
Quando é que ela havia roubado o amor dos pais daquela mulher?
Ela já deveria agradecer por não ter sido maltratada por aqueles tios.
No entanto, a voz sombria e fria de Filipe Cruz soou atrás dela no exato momento em que Helena Castro se preparava para retrucar.
— O que vocês estão fazendo?
Roberta Lobato soltou um grito repentino e caiu pesadamente no chão.
Helena Castro testemunhou toda a cena com os seus próprios olhos.
Honestamente, ela admirava a disposição de Roberta Lobato para chegar a tais extremos.
Ela simplesmente se jogou no chão sem se importar com o que havia atrás de si.
Ele chamou um médico às pressas para realizar um exame mais detalhado ao notar a expressão de dor no rosto dela.
— Você não sabia que ela estava machucada? Por que você a empurrou? Você mesma disse que, se tiver algum problema, deve resolvê-lo comigo! A Roberta é inocente! — Ele se virou para repreender Helena Castro enquanto o médico examinava Roberta Lobato.
As palavras dele soaram de forma ensurdecedora.
Helena Castro não respondeu.
Ela não sabia o que deveria dizer.
Ela deveria se defender?
Isso não faria o menor sentido.
Pois Filipe Cruz jamais acreditaria nela.
Ele não acreditaria nela mesmo se ela gastasse todo o seu fôlego proferindo milhares de explicações.
Era melhor permanecer em silêncio.
— Se acontecer alguma coisa grave com a Roberta, eu vou... — Filipe Cruz continuava furioso.
No entanto, ele perdeu as palavras subitamente quando elas chegaram à ponta da língua.
— Você vai o quê? Pedir o divórcio? Você sabe muito bem que é isso que eu mais desejo. — Helena Castro sorriu de forma letárgica.

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