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Sete Anos de Espera, Um Adeus Sem Volta romance Capítulo 811

Helena Castro não fixou o olhar no aparelho, apenas varreu a tela rapidamente com os olhos antes de continuar a apoiar a vovó Cruz na descida do carro.

A vovó Cruz se posicionou firmemente no chão e olhou para trás, encarando Filipe Cruz com expectativa.

Ela parecia aguardar que ele a seguisse.

— Vovó, podem ir entrando, eu vou atender essa ligação e já alcanço vocês. — Disse Filipe Cruz, desviando os olhos propositalmente.

— Cumprir essa promessa é muito importante para nós, portanto você deve estar presente de qualquer maneira. — Lembrou-lhe a vovó Cruz com uma sutileza calculada.

— Entendido. — Concordou Filipe Cruz.

Satisfeita, a vovó Cruz puxou Helena Castro pelo braço e as duas adentraram o recinto do templo.

O fato de ele priorizar aquela ligação num momento tão significativo apenas demonstrava o peso absoluto que Roberta Lobato possuía em seu coração.

Ele sequer se dava ao trabalho de disfarçar as suas intenções na frente de sua legítima esposa.

Como se tratava de um dia útil comum, o movimento de fiéis no templo era bastante modesto.

Por ser uma doadora generosa e já ter passado uma temporada alojada naquelas instalações há cinco anos, a vovó Cruz teve direito a uma recepção VIP exclusiva.

Após oferecerem o incenso aos deuses, as duas mulheres se acomodaram na casa de chá para saborear a bebida enquanto aguardavam pacientemente por Filipe Cruz.

A casa de chá havia sido erguida estrategicamente na Via de Vento, proporcionando uma vista privilegiada, de cima para baixo, dos famosos 99 degraus de pedra.

Nos degraus sagrados, fiéis fervorosos realizavam as suas preces, prostrando-se e tocando a cabeça no chão a cada passo ascendente.

Helena Castro observou aqueles degraus milenares e perdeu-se nos próprios pensamentos melancólicos.

No passado, ela também havia imitado a devoção daqueles fiéis, ajoelhando-se e curvando-se a cada degrau para pedir bênçãos por quem tanto amava.

Só que, naquela ocasião marcante, ela percorreu o doloroso caminho duas vezes, arrastando-se por 198 degraus implacáveis, tudo para conquistar dois amuletos de proteção.

Um dos preciosos amuletos foi entregue nas mãos de Rebeca Ribeiro.

O outro amuleto, ela havia suado e sangrado para presentear Filipe Cruz.

Ela tinha ido até o templo sem planejar direito, vestindo calças de tecido fino, o que tornou o ato de se ajoelhar sobre os degraus de pedra afiada uma verdadeira tortura por duas vezes seguidas.

Quando estendeu as mãos trêmulas para oferecer o amuleto a Filipe Cruz, as suas próprias pernas fraquejavam e mal a mantinham de pé.

Filipe Cruz, no entanto, foi implacável ao dizer que ela não deveria perder tempo precioso e energia vital com crenças inúteis, muito menos se submeter àquele esgotamento físico desnecessário.

Na época, ela ingenuamente atribuiu a frieza cortante das palavras dele à sua natureza cética e racional, acreditando que ele simplesmente não era capaz de compreender atos de pura devoção.

A xícara de chá chegou ao fim e Filipe Cruz não havia dado o ar de sua graça.

A feição da vovó Cruz transformou-se radicalmente, e ela sacou o celular da bolsa com agressividade para ligar para Filipe Cruz.

Durante tantos anos, ela havia ocupado o doloroso lugar da pessoa sistematicamente negligenciada.

Com o passar do tempo e das decepções, ela simplesmente se adaptou àquela realidade fria.

Enfrentar uma situação como aquela já não provocava o menor abalo nas suas emoções desgastadas.

Ela encarava aquilo como fofoca de alguém totalmente irrelevante, ouvindo as palavras entrarem por um ouvido e evaporarem no ar.

A vovó Cruz virou o rosto para olhar Helena Castro com os olhos transbordando culpa e demorou uma eternidade até conseguir balbuciar alguma coisa.

— Você tem sofrido tanto nas mãos dele, minha pobre neta.

— Eu já não sinto mais nada, vovó. — Confessou Helena Castro, com a mais absoluta sinceridade.

A vovó Cruz encarou profundamente os olhos da jovem e percebeu que não havia traço de falsa valentia naquelas palavras.

Por fim, soltou um longo e pesado suspiro.

— Que seja assim, afinal, foi ele quem desperdiçou a sorte de te ter. A vovó vai apoiar e tomar a frente no divórcio de vocês!

Helena Castro arregalou os olhos, sinceramente surpresa, pois nunca esperou receber aquele tipo de apoio incondicional da avó.

— Vocês já têm os documentos do divórcio preparados? — Indagou a vovó Cruz com firmeza. — Certifique-se de incluir muitas exigências favoráveis a você, lute por mais ações da empresa e por uma bolada em dinheiro. Exija também que ele repasse aquela casa onde vocês moravam na Cidade N para o seu nome. É pertinho de onde eu moro, então, quando for me visitar na Cidade N, você terá um teto confortável sobre a sua cabeça, sem precisar vagar por aí feito uma folha seca ao vento, desamparada e solitária.

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