Rebeca Ribeiro franziu levemente as sobrancelhas, incapaz de imaginar o motivo daquela ligação.
Após ponderar por três segundos, ela rejeitou a chamada.
Algumas conexões não precisavam mais existir.
Ela também não queria que seu bom humor da noite fosse arruinado por aquela ligação.
O vento frio levantou a barra de seu vestido mais uma vez, e Rebeca Ribeiro sentiu na pele o frio cortante daquele inverno que se aproximava.
Ela esperava que o carro do motorista chegasse logo.
Ela queria ir para casa e ter uma boa noite de sono.
Do outro lado.
Isaque Farias segurava um guarda-chuva sobre Samuel Batista, protegendo-o da chuva de inverno.
Samuel Batista pensou muito antes de fazer aquela ligação.
Mas no momento em que a chamada completou, ele hesitou.
Ele não deveria ter ligado.
Rebeca Ribeiro estava no momento mais feliz de sua vida e não deveria ser afetada por ele.
Então, ele desligou o telefone.
Uma rejeitou a chamada, o outro desligou, tudo ao mesmo tempo.
Só que nenhum dos dois percebeu.
Isaque Farias ficou um pouco confuso.
— O que aconteceu?
— Não é nada. — Samuel Batista guardou o celular e se virou para os policiais que o aguardavam. — Desculpem a demora.
Os policiais se aproximaram imediatamente e colocaram as algemas em seus pulsos.
Samuel Batista cooperou durante todo o processo.
Isaque Farias franziu o cenho.
— Ficarei de olho no seu pai, para prevenir qualquer retaliação de pessoas mal-intencionadas.
O olhar de Samuel Batista estava baixo, fixo nas algemas frias em seus pulsos.
Após uma pausa de dois segundos, ele falou:
— Fique de olho na Rebeca Ribeiro também.
Isaque Farias pareceu não entender.
— Ela e você não têm mais absolutamente nenhuma relação. Isso não deveria afetá-la.
— É só por precaução.
Ele não ousava arriscar, não podia arriscar.
Muito tempo depois, ele finalmente retirou o olhar da paisagem urbana iluminada por neons e sussurrou para si mesmo.
— Que pena que não há luar esta noite.
Nem o céu ajudava, estava tudo nublado, impedindo-o de ver o rosto dela com clareza.
…
Três dias depois.
Edivaldo Serra enviou notícias da Cidade N, dizendo que 'a Cidade N tremeu', e perguntou aos seus bons irmãos de fraternidade e à sua 'caloura' se eles haviam sido afetados.
Márcio Rocha foi o primeiro a responder.
— Sim, meu caro, mas o impacto não foi grande. Ainda estamos aguentando.
Dionísio Romão:
— Quanto maior a tempestade, mais caro o peixe.
Josué Senna foi mais direto e enviou um gráfico da cotação das ações do Grupo Atlantec.
Estava bem no vermelho.
Edivaldo Serra sentiu-se um pouco mais consolado.
— A caloura é que está bem. Longe, na Cidade R, completamente livre de qualquer impacto.

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