Rebeca Ribeiro repetiu o que sempre dizia: nunca considerou Flora um incômodo.
Para facilitar os cuidados de Rebeca Ribeiro com Flora, Cassio Almeida a promoveu para uma cabine melhor.
Apesar de Rebeca Ribeiro dizer que não era necessário, Cassio Almeida insistiu.
Ele explicou que a mudança não era apenas para agradecê-la, mas também para proporcionar a Flora um ambiente mais tranquilo, temendo que ela pudesse sofrer algum tipo de estímulo negativo.
Só então Rebeca Ribeiro concordou.
A suíte de luxo no último andar era de fato muito confortável, com uma vista espetacular.
A pureza e a imensidão do mar fizeram Rebeca Ribeiro esquecer as preocupações da terra firme, relaxando-a completamente.
Um ano de trabalho ininterrupto finalmente concedeu um breve descanso àquela máquina incansável.
Nos dois primeiros dias, ela e Flora mal saíram do quarto.
Comiam quando tinham fome, dormiam quando tinham sono.
O estado de Flora também era excelente; ela conversava animadamente com Rebeca e exibia um sorriso que não se via há muito tempo.
No terceiro dia, houve um jantar da empresa, e Rebeca Ribeiro levou Flora.
Todos comeram, beberam e se divertiram muito.
Depois do jantar, Rebeca Ribeiro levou Flora para um passeio no convés.
A brisa do mar soprava suavemente, uma sensação deliciosa.
— Golfinhos. — Flora, com seus olhos aguçados, avistou os golfinhos que guiavam o cruzeiro e puxou Rebeca Ribeiro, animada, para ver.
Outros turistas no convés também se aproximaram ao perceber a cena.
Flora, ágil como um peixinho, se esgueirava pela multidão.
No meio do caminho, Rebeca Ribeiro esbarrou em alguém.
Enquanto se desculpava, Flora desapareceu na multidão.
Rebeca Ribeiro começou a procurá-la apressadamente, até que um funcionário lhe disse que tinha visto a menina correndo para a direita.
Ela correu para a direita, perguntando pelo caminho, e finalmente avistou Flora parada em frente a uma grade.
Rebeca Ribeiro suspirou aliviada e, enquanto se aproximava, chamou por ela.
Mas Flora não respondeu.
Ela passou por um arco, prestes a estender a mão para pegar Flora.
De repente, Flora começou a chorar alto.
Logo em seguida, alguém cobriu o rosto de Rebeca Ribeiro com um pano preto com um cheiro forte e penetrante.
Por fim, ela ergueu a mão e lhe deu um tapa.
Foi um golpe forte.
O rosto de Rebeca Ribeiro virou para o lado, seguido por uma ardência na pele e o gosto de sangue na boca.
— Vadia! Quem te deu permissão para seduzir meu cunhado!
Flora, assustada, começou a se debater com força.
Brunela Martins virou-se, irritada, e gritou para ela:
— Se você se mexer de novo, eu a mato!
Flora parou imediatamente, seus olhos cheios de terror.
— Acho que você entendeu errado. O Sr. Almeida e eu temos uma relação puramente profissional, não é o que você está pensando.
O comportamento de Brunela Martins era muito estranho, nada parecido com o de uma pessoa normal.
Rebeca temia que ela pudesse machucar Flora, então foi forçada a adotar um tom mais baixo para negociar.
— Acha que me engana? Em todos esses anos, meu cunhado só soltou fogos de artifício para uma mulher: minha irmã, e foi no pedido de casamento. Mas agora ele soltou para você!
— E você ainda diz que não há nada entre vocês?

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