Rebeca Ribeiro suprimiu a fúria que crescia em seu peito e pegou o celular, preparando-se para ligar para o reitor Milton.
Mas antes que pudesse discar, ouviu a voz dele.
Aproximando-se.
Primeiro, foi Beatriz Luz quem falou: — Reitor Milton, desculpe pelo incômodo.
— Diretora Luz, não se preocupe. Era algo que se resolveria com um telefonema, mas você e o Diretor Batista fizeram questão de vir pessoalmente. — A voz do reitor Milton soava bastante cortês.
Ele ainda acrescentou a Beatriz Luz: — Se estiver muito atarefada, é só me avisar. Posso mobilizar o pessoal da universidade para te ajudar.
— Agradeço muito, reitor Milton.
Alguns trabalhadores passaram carregando equipamentos.
Samuel Batista, provavelmente preocupado que Beatriz Luz fosse atingida, segurou-a delicadamente pelo braço e a puxou para junto de si.
No instante seguinte, ela estava firmemente protegida em seus braços.
Beatriz Luz ergueu o rosto e lhe deu um sorriso doce.
— Então eu já vou indo. Se precisarem de algo, é só me ligarem. — Disse o reitor Milton, virando-se para os dois ao ver que tudo estava em ordem.
— Certo. Muito obrigado, reitor Milton. Depois lhe pagaremos um jantar.
Desta vez, foi Samuel Batista quem falou.
O reitor Milton acenou com a mão. — Diretor Batista, não precisa se incomodar.
Depois que o reitor Milton partiu, Samuel Batista e Beatriz Luz entraram no auditório.
Rebeca Ribeiro respirou fundo, mal conseguindo conter a chama de raiva que ardia dentro dela.
Ainda assim, ela discou o número do reitor Milton.
Ele atendeu, e suas primeiras palavras foram um pedido de desculpas. — Presidente Ribeiro, eu já ia te ligar. Sinto muito, mas tivemos um problema na universidade. O auditório que havíamos alugado para você precisará passar por um ajuste.
— Mas, reitor Milton...
— Presidente Ribeiro, fico lhe devendo um favor por isso. Se no futuro precisar de algo que eu possa fazer, pode me procurar. Não hesitarei em ajudar!
O reitor Milton não esperou que Rebeca Ribeiro terminasse de falar.
Em outras palavras, a decisão estava tomada e não podia ser alterada.
Faz sentido. Com Samuel Batista envolvido, o reitor Milton não tinha como recusar.
Afinal, ele só conseguiu sua posição atual graças ao apoio de Samuel Batista ao longo dos anos.
Cada um tem sua própria posição e suas próprias dificuldades.
Rebeca Ribeiro conseguia entender.
Afinal, o mundo funcionava à base de favores.
No momento, ela não tinha tempo para se preocupar com isso. Precisava mobilizar sua equipe para reorganizar o novo local o mais rápido possível.
Quando ela terminou de dar as instruções e voltou, viu que o motorista já havia resgatado a placa de sinalização do lixo e a estava limpando.
Assim que Rebeca Ribeiro se aproximou, ele a olhou, esperando uma resposta.
Rebeca Ribeiro disse: — Leve para o Auditório B.
O motorista entendeu o resultado.
Ele não fez mais perguntas, apenas continuou seu trabalho em silêncio.
Quando a equipe enviada pela VerdaVita chegou, Rebeca Ribeiro e o motorista já estavam limpando o auditório.
Com mais gente ajudando, o progresso foi mais rápido.
Quando a maior parte do trabalho estava concluída, já passava das três da manhã.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sete Anos de Espera, Um Adeus Sem Volta