O quarto para o qual ele a levou ficava bem ao lado.
Mas, logo na porta, Helena conseguiu se soltar.
A reação de Filipe foi mais rápida; antes que Helena pudesse voltar, ele segurou sua nuca e a empurrou contra a porta.
Helena reagiu dando-lhe um tapa.
Um tapa muito forte e pesado.
O golpe havia consumido toda a força que ela tinha naquele momento.
O estrondo ecoou pelo corredor, deixando todos em silêncio.
Nem mesmo Bárbara se atreveu a olhar para fora.
A tensão entre eles era tão aguda como cordas de arco prontas para disparar.
O corpo alto de Filipe estava tenso, mas ele nunca afrouxou a mão que a prendia.
Ele até, de modo incomum, reprimiu sua raiva e aconselhou pacientemente: — Seus olhos estão vermelhos de cansaço, e aposto que você não quer que a vovó acorde e a veja assim. Ela ficaria preocupada.
Na mesma hora Helena perdeu todas as forças.
Por fim, foi Filipe quem a ajudou a entrar no quarto.
Ela se deitou na cama, enquanto as lágrimas escorriam incessantemente do canto de seus olhos.
Durante o dia, ela ouviu tudo o que o médico havia dito a Filipe.
O médico disse a Filipe para se preparar, avisando que a velha senhora tinha pouco tempo.
Helena não queria se separar da avó.
A avó era uma das poucas pessoas neste mundo que lhe trazia conforto e aconchego.
Durante a noite, Helena também teve uma febre alta.
Ficou confusa e delirante.
Em meio ao delírio, ela sentiu alguém testando a temperatura de sua testa.
A mão era fria e carregava o frescor da madrugada. O toque em sua pele ardente provocou um leve arrepio.

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