Embora houvesse muitos convidados no local, Rebeca ainda viu Samuel em pé no meio da multidão num relance.
Ele vestia um terno artesanal preto de corte elegante, com a linha dos ombros estruturada, delineando perfeitamente sua figura alta e esbelta.
Com uma mão no bolso da calça, ele girava casualmente uma taça de vinho na outra mão; o líquido vermelho escuro deixava curvas elegantes no vidro, refletindo um brilho frio e cativante.
Entre as sombras e as luzes cruzadas, o perfil do seu rosto era duro, porém requintado. Seu pomo de Adão movia-se ligeiramente acima do colarinho; cada movimento transbordava uma elegância indiferente.
Apenas ficar ali quieto fazia dele a presença mais impossível de se ignorar em meio a todo o glamour do salão.
Frio, contido, e ainda assim fatalmente atraente, roubando o olhar de todos.
Portanto, ela não poderia ser culpada por se deixar levar agora pouco, certo?
Foi esse homem que foi sedutor demais.
Talvez percebendo que ela o olhava, o olhar de Samuel atravessou a multidão e encontrou o dela.
O olhar dele foi tão direto e ardente que fez Rebeca se sentir um pouco culpada e evitar o olhar dele com desconforto.
Bem nessa hora, alguém se aproximou para cumprimentá-la.
Era Benedito José.
— Srta. Rocha, nos encontramos novamente.
Benedito José tinha visitado a Cidade R com muita frequência ultimamente.
Rebeca, por educação, o cumprimentou.
— Sr. José.
Desta vez, Benedito José convidou Rebeca proativamente para dançar: — Eu teria a honra de convidar a Srta. Rocha para uma dança?
Em tal ocasião, uma recusa direta não seria nada apropriada.
Rebeca foi condescendente e dançou com ele.
Benedito José não foi insistente; assim que a música terminou, ele a soltou de maneira cavalheiresca.
Em contrapartida, foi Rebeca quem fugiu.

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