As três viaturas seguiram o ponto no mapa até chegarem aos arredores de uma serra enorme.
Aquela montanha já ficava dentro do estado do Amazonas. Enrico explicou para Heitor:
— O Jacó era mesmo muito escorregadio. Eu aposto que, da outra vez, ele também escapou por essa estrada de serra. Aqui a presença policial é fraca, é região pobre, quase sem estrutura. E os agentes que vieram de outros estados para perseguir o Jacó não têm costume de dirigir em estrada de montanha.
Enrico continuou detalhando a situação:
— Agora já é madrugada. Pelo rastreamento, eles estão a menos de vinte quilômetros daqui. E o ponto parou de se mover. O problema é o que a gente tem na frente: uma subida íngreme, estreita, cheia de curva cega. Esse tipo de estrada tem muito ponto morto. Tem curva que fecha de repente. Quem não conhece o trajeto não devia se arriscar a subir à noite. É muito fácil despencar ribanceira abaixo.
Enrico desceu da viatura e, avaliando o terreno ao redor, completou com a experiência de quem já tinha visto muita coisa:
— Eles devem ter subido antes do pôr do sol. Eles conhecem essa estrada de cor. Se nem eles se arriscam a descer agora, é porque o trecho é realmente perigoso. Tudo indica que eles vão passar a noite lá em cima.
O coração de Heitor apertou. Ele sabia que a esposa e o filho ainda no ventre estavam, literalmente, a poucos quilômetros dele. Ele não queria desperdiçar aquela chance. Mas ele não conhecia o terreno, não tinha argumento técnico para convencer os outros a mergulhar na mesma loucura.
— Enrico, se eles saírem assim que amanhecer, mesmo que a gente arranque junto com o nascer do sol, vai ser quase impossível alcançar eles. — Disse Heitor.
Enrico concordou, sem rodeios:
— Sim, você tem razão. Na subida, sem conhecer a estrada, a gente não consegue passar de trinta por hora. Já eles, descendo, sabendo cada curva de cabeça, podem ganhar muito tempo. Mesmo que os dois lados saiam juntos, a chance de eles sumirem é grande. Mas não precisa se desesperar. Enquanto a gente tiver esse rastreamento, e eles não perceberem, mais cedo ou mais tarde a gente pega.
O peito de Heitor se fechou ainda mais:
— Mais cedo ou mais tarde? E se eles cruzarem a fronteira? A nossa ação vai ficar muito mais complicada. Para capturar o Jacó protegido por grupo armado estrangeiro, a gente pode ter que pagar um preço altíssimo, inclusive com troca de tiro pesada.
Naquele momento, o grupo do Jacó somava apenas três homens: ele e dois comparsas. Já Heitor e os demais estavam em três viaturas, com dez policiais no total, uma vantagem numérica clara. Só que, se o Jacó saísse do estado do Amazonas, qualquer tentativa de captura em outro país, Colômbia, Venezuela, tanto fazia, podia muito bem acabar em confronto armado.

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