Quando Lorenzo Valli saiu da sala de reuniões, Bruno Castro estava parado na porta do escritório.
Ele entregou os documentos ao secretário, caminhou devagar e apontou para o escritório.
Bruno entendeu, abriu a porta primeiro, esperou que ele entrasse e depois a fechou.
— Como foi?
Ele tirou o paletó, desabotoou os punhos e sentou-se no sofá.
Bruno colocou um documento na frente de Lorenzo.
— Verifiquei os registros do hospital, e o médico responsável pelo Sr. Arantes apresentou uma recomendação de cirurgia de emergência em março, no dia doze.
Ele se inclinou e virou o documento para uma página específica.
— O arquivamento desse relatório no sistema ocorreu no dia quinze de março, deixando um espaço de três dias.
Lorenzo olhou para as palavras no documento, com o tom calmo: — Por quê?
— A pessoa responsável se chama Estevão, administrador do arquivo médico do hospital. Entre os dias treze e quatorze de março, ele tirou dois dias de folga, alegando problemas familiares.
— O registro do sistema mostra que este relatório foi gerado no dia doze de março. Pelo procedimento, deveria ter sido arquivado no mesmo dia, mas Estevão não processou. Presumo que alguém tenha falado com ele.
Ele entregou uma captura de tela do histórico de chamadas a Lorenzo.
— Este número é de um telefone público.
— Hoje fui ao hospital ver esse Estevão. Ele afirmou que uma pessoa, dizendo ser da família, pediu para ele tirar uma foto do relatório de exames do Sr. Arantes e enviar. Essa pessoa disse que eles estavam resolvendo alguns trâmites, orientou que não enviasse o documento adiante e ainda lhe deu cinco mil.
— No dia seguinte ele tirou folga. Achou que o assunto tinha passado, mas não esperava que, ao voltar, o médico cobrasse outro relatório.
Bruno ergueu os olhos e observou a expressão de Lorenzo: — Mas já era tarde demais. O quadro do Sr. Arantes piorou drasticamente naqueles dois dias.
O olhar de Lorenzo escureceu enquanto observava as folhas à sua frente.


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