O paletó nem chegou a tocar nos ombros de Marisa quando uma mão o puxou por trás.
Atrás dela, um calor repentino e um aroma familiar chegaram. Outro casaco foi jogado sobre os ombros de Marisa.
A roupa de Gabriel foi arrancada e jogada contra o próprio peito.
— É melhor o Sr. Arantes se cuidar. Se ficar gripado amanhã, vai querer botar a culpa nos outros.
Marisa se virou e se deparou com Lorenzo.
— Era isso que você queria dizer quando disse que odiava este tipo de evento?
O tom dele era grave; deu um passo e encurtou a distância.
— O Sr. Valli ainda não entendeu se eu não gosto do evento ou de certas pessoas?
Lorenzo continuou surdo às palavras do outro homem, focando nela.
— Você pode me dar uma explicação razoável?
A família Valli bateu na porta dela ameaçando e exigindo coisas, e agora ele vinha interrogá-la?
Parece que as palavras da família dele não tinham limite mesmo.
Ele não conhecia o caráter da própria tia?
Além disso, se ele a convidou, ela era obrigada a ir?
Chegar exigindo justificativas como se ela lhe devesse a vida. Achava que ela continuaria a ceder como antes?
— Explicação?
Marisa perguntou: — Que explicação você quer ouvir?
Ela acompanhou o olhar de Lorenzo até o homem ao seu lado e sorriu: — A resposta não acabou de ser dada?
— Não odeio o lugar. Eu odeio as pessoas.
Ela ergueu os olhos para o segundo andar, onde Débora observava a cena.
— O Sr. Valli não fez a mesma coisa? Você tem a sua acompanhante, eu tenho o meu. Algum problema nisso?
— O que foi? O senhor pode tudo, mas os outros não podem nada?
Obviamente, Lorenzo não contava que ela despejaria tudo de uma vez.
Muito menos que fosse tão direta.
Ele perdeu as palavras por um momento.

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