Vendo isso, Débora apressou-se a passar a mão nas costas dela para ajudá-la a respirar, serviu um copo d'água e levou aos seus lábios, censurando: — Chega, Lorenzo, pare de falar. Vai acabar deixando a tia Helena passar mal de raiva.
O mordomo ao lado também não pôde deixar de aconselhar: — Jovem mestre, não diga mais nada. Peça desculpas logo à Dona Helena.
Lorenzo viu o rosto corado dela e soube que não tinha nada de errado. Uma mulher forte como a senhora Valli jamais se afetaria com uma ou duas frases.
Ele já sabia muito bem dos fingimentos que ela e a prima faziam para conseguir tudo o que desejavam.
Lorenzo se levantou, com uma expressão infeliz. — Tenho trabalho a fazer e vou embora agora, para não estragar seu apetite.
Dito isso, acenou para Bruno Castro na porta e saiu caminhando.
— Filho rebelde, que filho rebelde! — Helena esmurrou o sofá, furiosa.
Otávio Valli ouviu tudo do escritório no segundo andar. Quando saiu, Lorenzo já havia desaparecido.
— Otávio, olha só o seu filho. A mente dele foi enfeitiçada por aquela raposa.
Otávio baixou os olhos, o rosto sem muita expressão, com um tom brando. — De qualquer forma, ela também é da família Valli. Tome mais cuidado com o que fala no futuro.
— Vocês...
Débora alisou as costas dela, inspirando suavemente. Havia um desconforto indescritível em seus olhos.
Como ela não perceberia a defesa de Marisa nas palavras de Lorenzo e Otávio?
Então, agora nem o Sr. Valli ficava mais do lado dela?
—
Lorenzo não voltou para casa; como se guiado por fantasmas, foi para a Riviera Azul.
O carro parou não muito longe da casa de Marisa, e as luzes ainda estavam acesas.
Na verdade, ele estava meio cético em relação ao que Bruno dissera naquele dia. No fundo, não conseguia acreditar que seus próprios parentes pudessem dizer e fazer aquelas coisas. Mas hoje, ele testemunhou.



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