Lorenzo Valli levantou os olhos para ela, com um tom apático: — Ela não já explicou, dizendo que estava ocupada?
Helena Valli franziu a testa, claramente insatisfeita com a atitude dele. — Lorenzo, você não era assim antes.
— Então como eu era antes?
Helena sentou-se de frente para ele, com a expressão nada boa. — Antes, fosse para pegar bola na quadra ou carregar sacolas no shopping, quando foi que você não a mandou me acompanhar? Mesmo que ela não quisesse, você a mandava ser sensata. E agora, o que foi? Não quer nem me defender com uma palavra?
Ouvindo as palavras dela, os olhos de Lorenzo pausaram, a ponta dos dedos esfregando a xícara de argila.
Ele abaixou a cabeça, tomou um gole do chá e perguntou: — Você já não tem a Débora para acompanhá-la nas compras? Por que tem que implicar com ela?
— Implicar?
Helena mal podia acreditar no que ouvia. — Você está dizendo que eu implico com ela? Já seria uma coisa ela não cumprimentar os mais velhos, mas eu a convidei e ela recusou de cara fechada. E agora a culpa é minha?
Vendo-a tagarelar sem parar, Lorenzo respirou fundo. — Então, o que a senhora quer? Trazê-la aqui para pedir desculpas?
— Eu disse que quero que ela peça desculpas? Só não suporto esse jeito arrogante dela.
Lorenzo respondeu: — Eu sei muito bem como ela trata os outros. Não precisa aumentar as coisas.
— Eu, aumentar as coisas?
Vendo que o volume dos dois estava alto, Débora Valente apressou-se a intervir para amenizar o clima. — Tia Helena, acalme-se. Faz tanto tempo que não se vê com o Lorenzo, não há necessidade de brigarem por isso.
— E sou eu que estou brigando com ele? Ele agora está desobedecendo a própria tia por causa de uma mulher que não presta.


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