Marisa seguiu o olhar dele e levantou ligeiramente as sobrancelhas.
Não esperava ser pega no flagra.
Mas aquilo era dela, o que ela fizesse não tinha nada a ver com o Lorenzo.
— Se você achar ruim, pode cortar a sua metade e levar embora.
Lorenzo lançou um olhar para ela, mas no fim não disse uma palavra.
A porta se fechou com um estrondo.
Ele respirou fundo e desceu as escadas.
Jogou os entulhos na lata de lixo e, olhando para o porta-retratos na mão, acabou levando-o para o carro.
Ela não queria mais nada.
Nem sequer a única foto que eles tinham juntos.
A luz dentro do carro estava acesa, e Lorenzo ficou encarando a foto fixamente.
Pelas roupas, era da época em que foram escalar a montanha de neve juntos.
Ele sabia perfeitamente que ela estava tirando a foto às escondidas desde o primeiro instante.
Várias vezes, ele fingiu que não estava vendo para colaborar, mas ela passou o caminho todo testando o terreno sem coragem de apertar o botão.
No fim, sem paciência, ele simplesmente ficou olhando para o mar de nuvens. Ele ficou congelado ali por um tempão para que ela se sentisse à vontade para tirar a foto.
Depois, para evitar que ele desconfiasse, ela ainda tentou parecer relaxada, mandando-o olhar para cá, olhar para lá.
Ela achava que não estava deixando transparecer, mas, na real, sua atuação era péssima.
— Tão boba.
Na época, ele só sabia que ela tinha tirado a foto, não esperava que a guardasse com tanto carinho até hoje.
Sob a luz do carro, Lorenzo observou em silêncio a mulher na foto.
Viva, fofa e cheia de vida.
E aquele olhar repleto de amor ao encará-lo.
Mas todo aquele amor tinha desaparecido completamente. Nos olhos dela, não restava nem um vestígio do carinho que ela sentia por mim antigamente.
Eram frios, como se estivesse olhando para um inimigo.
Ele sabia como ela era quando o amava, então conseguia perceber a mudança com facilidade.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sem Perdão: Sua Ajuda Matou Meu Pai