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Roubada no altar pelo chefe da Máfia romance Capítulo 172

Capítulo 172

Rúbia

O silêncio depois que Luca saiu foi mais leve do que eu esperava. Derrick continuava ali, parado no meio da sala, o rosto meio sério, meio... vivo.

Aquela coisa dele de ser leal até o osso — mesmo quando erra — sempre me desmonta.

— O que vai querer, querida? — ele perguntou, com aquele meio sorriso que começa nos olhos antes de alcançar a boca.

— Como assim? — respondi, tentando disfarçar o riso.

— O chefe disse que eu faria o que você quisesse... — ele completou, e o olhar veio cheio de desafio.

Cruzei os braços, fingindo pensar, embora a resposta já tivesse nascido em mim no exato segundo em que ele abriu a boca.

— Quero viajar. Fazer um passeio com você e a Mia. O que acha?

Ele arqueou a sobrancelha, surpreso, mas não hesitou nem um segundo.

— Então arruma as malas.

A frase me pegou de jeito.

Simples, direta, quente como promessa antiga.

Soltei o ar em um riso e abracei ele com força, a cabeça encaixada no peito que agora era abrigo de novo.

— Você não vai se arrepender disso, Derrick.

— De você? Já me arrependi de um monte de coisa nessa vida, mas dessa não.

Beijei ele — um beijo que não pedia pressa, nem garantia. Só selava o começo de algo novo.

Foi aí que o choro veio, fininho e impaciente, atravessando o ar da casa como um lembrete de que o mundo não gira só em torno de nós dois.

— A princesa acordou — murmurei, rindo contra o pescoço dele.

Fomos juntos até o quarto. A Mia estava de pé no berço, segurando as grades com as mãozinhas gordas, o cabelo bagunçado e o olhar curioso de quem acorda e quer companhia.

— Ei, mocinha... — Derrick se aproximou, abaixando a voz. — Já está mandando em tudo, hein?

Peguei ela no colo, e o choro virou risadinha instantânea. Derrick fez careta, balançando um ursinho de pano, enquanto a pequena batia palminhas descompassadas.

— Está vendo? Já é igual a você — ele comentou. — Se der carinho, quer o mundo inteiro junto.

— E quem foi que ensinou? — provoquei.

Ele sorriu de lado, aquele sorriso torto que sempre carrega mais coisa do que parece.

Depois, ajeitou o colarinho da camisa e me olhou de um jeito decidido.

— Vai se arrumar. Eu e a senhora Jenkins cuidamos da Mia.

— Jenkins?

— A outra funcionária. Aquela que o Luca mandou ficar até contratarmos mais gente.

— Hm. — fingi desconfiança. — Espero que ela saiba lidar com choro, porque essa daqui herdou o seu temperamento.

— Duvido. O dela é pior. — ele piscou. — Anda, vai logo.

— Parece que a gente está voltando pra antes de tudo — murmurei.

— Não. — ele respondeu, sem desviar o olhar da estrada. — A gente está indo pra depois de tudo.

O resto do caminho foi só paisagem e silêncio bom. Aquelas montanhas que sempre me deram paz voltaram a aparecer no horizonte, e eu senti o peito abrir.

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Chegamos perto do fim da tarde. O chalé de Vermont estava exatamente como eu lembrava: madeira clara, varanda com rede, e o lago espelhando o céu que começava a corar de laranja. Derrick abriu a porta, respirou fundo e olhou pra mim.

— Pronto. Nosso refúgio por uns dias.

Entrei, a Mia no colo, e o cheiro de madeira antiga me envolveu. O som das folhas lá fora, o frio leve, o jeito como ele encostou a mala na parede e me olhou — tudo dizia a mesma coisa: recomeço.

— Derrick? — chamei, baixinho.

— Hm?

— Obrigada.

— Por quê?

— Por me trazer de volta pra gente.

Ele sorriu, se aproximou, beijou minha testa e depois o topo da cabeça da nossa filha.

— A gente só está começando, Rúbia.

Lá fora, o lago refletia o fim do dia, e pela primeira vez em muito tempo, eu senti que o amanhã podia ser leve.

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