Capítulo 196
Derrick
Rúbia ergueu os olhos pelo espelho — e eu soube que ela entendeu o que viria antes mesmo de eu dar um passo.
— Trancou a porta, Derrick? — provocou, a voz mansa, mas os olhos... cheios de faísca.
— Tranquei. — respondi, encostando o corpo no dela. — Pra ninguém interromper o que vai acontecer.
Ela ainda segurava a escova de dentes, fingindo normalidade.
— E o que vai acontecer? — perguntou, sem desviar o olhar.
Encostei a boca no pescoço dela.
— Quero você. — murmurei contra a pele. — Daquele tipo que só a gente entende.
O riso escapou dela, suave.
— Você não sabe ficar um minuto sem transformar a paz em bagunça.
— Eu sei, sim. — respondi, a voz rouca. — Só não quero.
A escova caiu na pia. Ela virou devagar, e os olhos encontraram os meus com aquele brilho que sempre me desmonta.
— Você devia me deixar terminar. Talvez pentear o cabelo...
— Eu devia fazer muita coisa. — retruquei. — Mas, no momento, só quero sentir você respirando perto.
Ela me puxou pelo colarinho, e o beijo aconteceu como um incêndio: rápido, inevitável, quente.
As mãos dela subiram pelo meu peito, segurando firme. Eu a encostei na parede de azulejo frio, o contraste entre o toque gelado e o calor da pele dela me arrancando um gemido baixo.
— Derrick… — sussurrou, entre o riso e o aviso.
O cheiro dela dominava o ar.
Passei os dedos pela linha do maxilar, depois pelos fios de cabelo úmidos, até chegar à nuca.
Ela arrepiou inteira.
— Eu amo quando você me olha assim. — confessou, quase sem voz.
— Assim como?
— Como se já soubesse o que vai fazer comigo.
Sorri de canto.
— Eu sempre sei.
Ela me puxou de novo, os lábios roçando, testando limites.
— Te quero Rúbia — murmurei, deslizando os lábios até o ombro dela. — Você me quer tanto quanto eu quero você.
Ela fechou os olhos, e eu senti o corpo dela ceder, o peito subindo num suspiro longo.
— Fala de novo. — pediu. — Do jeito que só você sabe.
Encostei os lábios no ouvido dela.
— Você é a minha calmaria e o meu caos. — sussurrei. — E eu não sei qual dos dois me prende mais.
Os dedos dela apertaram o tecido da minha camisa, como quem quer rasgar o tempo.
— Você fala bonito demais quando quer me fazer perder a cabeça.
— Não falo. — respondi. — Eu só digo a verdade.
Ela me olhou nos olhos.
— Então me prova.
Foi o tipo de desafio que nunca deixei passar.
A beijei outra vez — devagar dessa vez — um beijo que começa doce e termina pedindo socorro.
Carreguei-a até o quarto, e a penumbra nos envolveu como uma promessa. A janela aberta deixava o perfume do jasmim entrar, misturando-se ao dela.
Rúbia olhou por sobre o ombro, os lábios entreabertos.
— Fecha a janela, Derrick.



Ela obedeceu, e o olhar dela me acertou como um tiro.
A troca de poder entre nós era um jogo antigo — ora dela, ora meu — e eu nunca soube quem realmente vencia.
Troquei de posição, trazendo-a pra mim.
— Cavalga em mim, gostosa...
Os corpos se encontraram de novo, agora frente a frente.
O suor, o calor, o ritmo — tudo num só idioma.
Beijei a curva do pescoço, o maxilar, o canto da boca.
Ela gemeu meu nome mais uma vez, e naquele som havia tudo o que eu precisava lembrar sobre o que significa pertencer.
O tempo deixou de existir.
Ela me dizia “mais perto”, e eu obedecia.
Eu dizia “não solta”, e ela ficava.
Cavalgava sobre mim com seus cabelos pra trás. Subindo e descendo lindamente. Fazendo meu pau ficar cada vez mais duro.
Quando gozou seu corpo estremeceu sobre o meu. Se moveu mais rápido, então também gozei.
Rúbia deitou sobre meu corpo em seguida.
Fiquei olhando o rosto dela à meia-luz, o cabelo bagunçado, a respiração mansa.
— Tá feliz? — perguntei. Ela ergueu a cabeça.
— Acho que sim. — respondeu, rindo baixinho. — Se isso for paz, pode durar pra sempre.
— Vai durar. — prometi. — Eu cuido pra isso.
Ela encostou a cabeça no meu peito, desenhando círculos preguiçosos com o dedo na minha pele.
O vento soprou de novo, trazendo o cheiro do mar.

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